Oxigênio (2021) | Crítica

Consumir conteúdo audiovisual na pandemia nos fez e continua nos fazendo refletir sobre qual é o verdadeiro papel da arte em nossas vidas e por que nós selecionamos como essa arte é e deve ser feita. As limitações devem sempre ser lembradas ou só a tentativa de ser algo diferente do que está acontecendo já ganha pontos?

O filme “Oxigênio” é um tipo de cinema que curiosamente se tornou batido mesmo sem muitos exemplares para servirem como comparativo. A perspectiva de alguém isolado em um ambiente claustrofóbico é interessante mais pelos desafios que quem ousa dirigir que pela premissa em si.

“Enterrado Vivo” é o filme que vem na hora quando se sabe do que “Oxigênio” se trata. Mas o que torna esse aqui diferente do filme do Rodrigo Cortés são as escolhas acertadas de narrativa e os momentos certos de se utilizar de maneirismos que esse tipo de produção uma hora vai ter que se ceder a utilizar.

Não cabe falar da trama porque ela na verdade não importa muito. A mulher que acorda dentro de uma cápsula de criogenia sem entender o que está acontecendo é exatamente o pensamento que nós, telespectadores, temos que compartilhar. Toda descoberta mesmo que besta é uma conquista para ela que deseja sobreviver e nós que estamos famintos de curiosidade.

Seu diretor, Alexandre Aja é cria do “Novo Extremismo Francês” e com seu Haute Tension se provou um diretor que consegue ter controle da narrativa mesmo que ela seja irregular. Aqui seu amadurecimento é notável quando sua câmera sabe o exato momento de fazer close-up em uma estonteante Mélanie Laurent como também fazer com que o telespectador se sinta preso junto com ela quando sentir que é preciso.

Sem esquecer, claro, do robô M.I.L.O. vocalizado por Mathieu Amalric que é a melhor coisa dessa pequena pepita francesa que se tivesse um final menos óbvio seria algo digno de recomendação. Mas eu recomendo você assistir mesmo assim.

 

Classificação: Círculo de Fogo: The Black

Veja outras críticas nossas, de produções da Netflix:

“Oxigênio” é um filme de Alexandre Aja com Mélanie Laurent. E encontra-se exclusivamente na Netflix.

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