A Barraca do Beijo 2 (2020) | Crítica

Engraçado assistir filmes adolescentes feitos nesse milênio. Enquanto nos deparamos com o começo dos filmes “para jovens” feitos por um James Dean atormentado nos anos 50, pulamos para os anos 80 impregnados pelo humor escatológico de Porks e a filosofia do nada dos filmes de John Hughes, até que chegamos aos anos 90/00 onde os jovens finalmente são mostrados como jovens com todos seus defeitos de caráter e conduta. Chega a ser cômico (por falta de uma palavra melhor para expressar vergonha) ver um filme como A Barraca do Beijo 2, novidade da Netflix, ser visto como o novo retrato do jovem.

Não que eu ache que jovens precisam a todo momento serem mostrados como desordeiros, se embebedando e se drogando por todos os cantos em todas as cenas do filme. Até é aceitável adentrar em um universo onde os jovens são todos limpos, bem apresentados e o único desvio de caráter mostrado em tela é o fato deles andarem de carro sem usar cinto de segurança.

O que fica é a impressão é que os jovens além de rasos de personalidade – sendo a todo momento estereotipados de forma que eles sejam únicos naquele modelo de persona – são também artificiais por não estarem atualizados com o que os jovens de suas épocas representam. A Barraca do Beijo 2 está no gênero de comédia romântica mas poderia ser facilmente visto como ficção cientifica pela realidade paralela e ilógica que ele apresenta.

A Barraca do Beijo 2/Netflix – Reprodução

E nem pode culpar a faixa etária que o filme está inserido como pretexto para justificar todo o conservadorismo (sim, filmes bobos também são representações políticas de seus momentos, lidem com isso). Recentemente tivemos o excelente Quase 18, de Kelly Fremon, onde os jovens não são tratados como arquétipos dos bons costumes. E o mais importante: não subestima o público que está assistindo com um texto piegas e vazio.

Mas estou sendo um pouco pesado com o filme? Talvez esteja. E consigo até lidar com um monte de gente privilegiada sofrendo por ter a oportunidade de estudar nas duas melhores faculdades americanas e não saber para qual quer ir, mas ainda estou pensando nas cenas de carro sem cinto de segurança. O que serão dos nossos jovens com filmes como esse dando esse exemplo? Estamos perdidos!

Classificação:

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