A Inteligência Artificial pode tornar humanos obsoletos até na produção artística

São muitas produções de Ficção Científica que especulam as infinitas capacidades da Inteligência Artificial nas nossas vidas. 2001 – Uma Odisseia no Espaço (1968), Blade Runner – O Caçador de Andróides (1982), Exterminador do Futuro (1984), Matrix (1999), AI – Inteligência Artificial (2001), Eu, Robô (2004), Wall-E (2008), Ela (2014). A lista é imensa.

A realidade não se mostrou tão empolgante quanto a ficção foi capaz de especular. Mesmo assim, a Inteligência Artificial é capaz de nos surpreender continuamente, desde maio de 1997, quando o Deep Blue venceu o campeão mundial de xadrez, Garry Kasparov, tornando-se o primeiro computador a vencer um campeão mundial de xadrez num torneio com regras oficiais.

Hoje, a Inteligência Artificial já faz parte de nossas vidas e muitas pessoas nem percebem. São resultados de busca do Google, atendimentos online ou por telefone aos clientes de grandes empresas, algoritmos de direcionamento de filmes e séries dos serviços de streaming, reconhecimento de rostos e voz, suporte em diagnósticos de saúde de pacientes, apoio jurídico aos advogados e demais operadores do direito. Esses exemplos não existiriam sem a interferência da IA.

Além disso, empresas realizam testes para liberar veículos e aviões, conduzir pessoas, sem a necessidade de motoristas. Ou seja, taxis e motoristas poderão ficar obsoletos. Com a possibilidade de redução drástica de acidentes. As pessoas vão preferir as opções sem motorista mesmo, em nome da segurança.

É nesse cenário promissor, de muitas surpresas e reviravoltas que a IA invade o mundo cultural da arte. A organização sem fins lucrativos OpenAI criou uma ferramenta e batizou como Junkbox, inspirado no aparelho em que o usuário escolhe uma música, a partir de um cardápio e a máquina aciona o disco ou cd de uma biblioteca interna para, por fim, tocar a música desejada. Entretanto, o Junkbox de IA é capaz de compor músicas, gravar melodia e vozes, com grandes chances de sucesso porque o sistema usa uma base de dados (o big data) para produzir músicas direcionadas ao grande público. Com isso, artistas, compositores e intérpretes tornam-se desnecessários. As gravadoras e plataformas de música agradecem. Imaginem o software poder compor uma nova sinfonia de Bethoeven ou uma nova canção de Renato Russo, falecido há 25 anos, para o grupo Legião Urbana.

Na Coreia do Sul, a empresa Supertone criou o software de IA, o Singing Voice Synthesis (SVS) – Sintetizador de Vozes de Cantores que aprendeu a recriar a voz do cantor Kim Kwang-Seok, falecido 25 anos antes, mantendo o estilo, a entonação e a habilidade de transmitir sentimentos para interpretar uma canção nova. O programa foi transmitido pela emissora de TV, sul coreana, SBS e gerou grande repercussão. O software pode ainda recriar interpretações de cada voz em idiomas diferentes. Isso ameaça a carreira dos artistas da música. Seria possível, por exemplo, ouvir uma gravação da cantora Elis Regina, falecida há 39 anos, cantando hip-hop em francês.

A mega empresa Amazon, considerada a maior livraria do mundo, serviço de streaming de filmes e músicas, o maior sucesso de empresa de vendas online, pretende utilizar a inteligência artificial para dublagem automática de filmes e séries. Os pesquisadores da Amazon criaram e patentearam um sistema de AI, capaz de aprender e reproduzir a voz de pessoas e que pode agilizar a dublagem de filmes e séries para qualquer idioma. O sistema permite analisar uma voz como Will Smith, recriar o mesmo timbre, som, maneira de falar, traduzir para outro idioma e reproduzir o mesmo padrão de voz nos vários idiomas. Seja russo, italiano ou mandarim. O áudio de cada idioma é gerado automaticamente, sem interferência humana. E fica parecendo que o próprio Will Smith foi quem falou Mandarim no filme, fluentemente, até com gírias locais. O sistema ainda vai permitir vozes de crianças, idosos, sotaques específicos, idiomas e dialetos. Tal tecnologia projeta uma sombra sobre o futuro dos tradutores e dubladores do mundo inteiro. Além disso, outras grandes empresas vão querer pagar para fazer uso dessa tecnologia em seus próprios serviços para a alegria e lucro da própria Amazon.

Pesquisadores do Laboratório de Mídia do MIT, Pinar Yanardag e Manuel Cebrian sob orientação do professor doutor Iyad Rahwan, criaram um software de IA, Shelley, em homenagem a clássica autora Mary Shelley, de Frankenstein. Em alguns anos, o software criou mais de 140 mil contos do gênero terror. A editora acadêmica Springer Nature anunciou a publicação do livro Lithium-Ion Batteries: A Machine-Generated Summary of Current Research (Baterias de Íons de Lítio: um resumo atual da pesquisa gerado por computador, em tradução livre). O primeiro livro escrito artificialmente.

O romance The Day a Computer Writes a Novel (O Dia em que um Computador Escreve um Romance, em tradução livre) participou de um concurso de redação para o Prêmio Literário Shinichi Hoshi e foi selecionado entre os finalistas, quase levando o prêmio. O romance foi escrito por um software projetado na Universidade do Futuro Hakodate, do Japão. A equipe, liderada pelo professor Hitoshi Matsubara, definiu os elementos básicos para um romance e o resultado foi o livro finalista que agradou inclusive a crítica especializada. Os escritores agora precisam competir com IA se quiser escrever novos romances de sucesso.

Em outra experiência da Universidade Carolina de Praga, na República Checa, a Inteligência Artificial escreveu a primeira peça de Teatro, chamada I.A.: Quando um Robô Escreve uma Peça. Tomando por base os temas que despertam interesse dos humanos. Assim, a primeira peça escrita artificialmente focou em violência e muito sexo. A peça foi transmitida pela internet e gerou grande audiência. Mais de 18 mil pessoas já foram conferir. Autores de teatro, se preparem.

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O assustador não é apenas saber dos resultados já conquistados. O assustador é imaginar como essas tecnologias vão evoluir pelos próximos 10, 15 ou 20 anos. Talvez, no futuro, as próximas matérias do SiriNerd sejam escritas por uma Inteligência Artificial. Afinal, quem saberá a diferença???

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