A Lenda de Candyman (2021) | Crítica

O cinema é verdadeiramente uma arte, nele podemos nos enxergar, nos revisitar, e visualizar os outros; compreender momentos históricos marcantes; analisar com profundidade a vaidade humana, a nossa; apaixonar-se e na mesma medida odiar a si e a terceiros; respirar e inspirar.

Nesse quase bucólico ambiente, nem todos conseguem fazer arte, e arte eivada de sentimentos. Vivemos um tempo em que o mecanicismo invadiu a arte e é quase impossível saber dissociar ambas. E o que Jordan Peele (“Corra!”; “Nós”) e Nia DaCosta (“The Marvels”) propõem aqui é arte. Perfeita? Não! Mas, arte. Arte de ruptura, arte que carrega o “sangue negro” e deixa claro o quanto os seres humanos podem ser cruéis por não aceitar as diferenças, e pasmem vocês, caros leitores, baseado num soneto angustiante de terror. Este foi “A Lenda de Candyman”, da Universal Pictures.

O folclórico personagem, Candyman encaixa-se nos ditos populares e urbanos presentes em todo o Mundo. Aqui, em Pernambuco por exemplo, possuímos um verdadeiro celeiro de entidades que se misturam a nossa cultura e aterrorizam a sociedade através do tempo [e se você quer saber um pouquinho mais sobre as nossas histórias, acesse o site de nosso parceiro ORecifeAssombrado]. Mas voltando a trama, Candyman possui várias histórias de origem, como demostrado no longa, o que pode parecer confuso, converge no racismo estrutural e atemporal presente em todo canto do globo, seja num amor proibido entre um negro e uma branca do Séc. XIX ou na violência policial dos atuais dias. E essa expansão, claramente foi proposital, tornando a nossa história ainda mais profunda, dantesca, reflexiva e próxima do nosso cotidiano. Porém, a quantidade de informações pode “assombrar” o público.

Sobre o terror em si, “A Lenda de Candyman”, da Universal Pictures funcionou em todos os sentidos, seja nos aspectos psicológicos, slasher e sobrenatural. E essa miscigenação é ordeira, caoticamente bela e de uma pegada bem referencial – é só lembrarmos dos trabalhos de Peele, frente aos elogiados “Corra!” e; “Nós”. Logo, se prepare para ser tomado por um medo “agonizante”, “sufocante” em meio a crítica social.

Tudo isso é fruto de um roteiro político, inteligente, interessante e nada previsível, do próprio Jordan em parceria com Win Rosenfeld. Enredo que extrai positivamente as atuações de Yahya Abdul-Mateen II (Anthony McCoy) e Teyonah Parris (Brianna Cartwright). O texto é tão colaborativo que personagens secundário tornam-se importantes e densos no desenrolar de “A Lenda de Candyman”, com destaque para William Burke, do astro Colman Domingo.

Todavia, o filme não é perfeito. Sentimos, em algumas cenas, uma passagem abrupta, nada harmônica, caracterizando, portanto, a saturação de informações num problema ainda maior. De quem seria a culpa? De nossa Diretora, DaCosta, ou da ilha de edição?

“A Lenda de Candyman”, da Metro-Goldwyn-Mayer e BRON Studios, funcionou e funcionou até mais do que o previsto. Os erros apresentados foram pelo excesso, pela ousadia de propor uma narrativa forte e crítica. Podemos, então considerar que tudo isso faz parte do processo visceral que é arte. O filme diagnostica uma sociedade doente, perversa e sim, racista.

Envolto numa fotografia sombria, mas pertinente, de uma trilha sonora quase perfeita, “A Lenda de Candyman” entrega uma nova abordagem sobre os nossos conflitos sociais e internos. Vale a leitura e a reflexão!!!

 

Classificação:

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Além da produção de Jordan Peele e da direção de Nia DaCosta, o filme também conta com o roteiro desse primeiro em parceria com Win Rosenfeld. O longa da Universal Pictures, “A Lenda de Candyman” estreia amanhã (26) nos cinemas.

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