Amor e Monstros (2020) | Crítica

Sobreviver em mundo repleto de seres vivos que tão repentinamente assumiram o comando da cadeia alimentar, não parece uma das coisas mais fáceis, principalmente quando estamos em conflitos consigo mesmo. “Amor e Monstros”, da Paramount Pictures e distribuído pela Netflix, respeita a “boa cartilha” do cinema. Com clareza narrativa e ótima tecnicidade, o filme estrelado por Dylon O’Brien consegue surpreender o público positivamente, argumentando através de uma alegoria, o sentido da vida. Confira prévia:

O mundo está um caos, e como bem explicado nos primeiros minutos do filme, pra salvar a humanidade do apocalipse, criamos um outro problema, e todo animal de sangue frio evoluiu, tornando-se maior, e por consequência mais forte. Os homens não estavam preparados pra isso. Logo, fomos reduzidos a pouco menos de 5% e passamos a se esconder, vivendo de maneira isolada – essa pequena estória te lembrou alguma coisa?! “Amor e Monstros” não foi desenvolvido em meio a pandemia, a produção se deu bem antes dela, e a qualidade com que o roteirista enxergou a humanidade no filme, quando traçamos um paralelo com o nosso atual quadro, foi perfeita. Principalmente quando os curtos, mas assertivos diálogos exploram bem o psiquê do protagonista.

Falando nisso, o jovem Joel Dawson (O’ Brien) terá um grande desafio, reencontrar a única pessoa viva, com quem teve uma ligação amorosa, antes do caos. E em busca de seu sonho, ele terá que realizar uma caminhada, através da bizarra e perigosa superfície. E aqui, cabe outra alegoria, a jornada é mais importante que o resultado desejado. Apesar da fórmula batida para o filme, de Shawn Levy e Dan Cohen (“Stranger Things”) optar por uma ideia nada original para trama, de bobo, “Amor e Monstros”, de nada tem. Se havia alguma ideia a fim de ser prospectada e analisada, era justamente essa. E Joel a fará, compreendendo que a cada novo passo, estaremos mais próximos de si mesmo. Essa aventura, revelará quem ele realmente é.

O roteiro de “Amor e Monstros” transborda simplicidade, boas escolhas produtivas e dramáticas, e por fim, de certa reflexão introspectiva. Tudo isso, vale salientar, envoltos num equilibrado tom. Para endossar o bom trabalho de Michael Matthews, que trouxe em sua direção algo estimulante e consciente, dando ao longa, a dinâmica necessária para se contar a história. Quanto aos quesitos técnicos, “Amor e Monstros” foi “redondinho”, de boa edição, mixagem e som, designer de produção e efeitos especiais. Aliás, o filme foi indicado ao Oscar 2021, nessa última categoria. Se vai levar ou não, só veremos isso no próximo domingo (25).

As atuações foram legais, não comprometeram o filme, com destaque para o próprio protagonista, o astro de “Maze Runner”, Dylan O’Brien e, Michael Rooker, de “Guardiões da Galáxia” e “O Esquadrão Suicida”. Ahhh, também separei dois momentos que mais gostei no filme. A inserção do cachorrinho, Garoto – por quem torcemos até o final – e o bate-papo com a única robô ”viva” Mav1ss. Sim, foi de tirar o fôlego, reconectando o personagem principal a sua própria humanidade.

Sem atropelos, de uma narrativa interessante, cirúrgico idealmente, “Amor e Monstros” foi preciso e delicioso em ver, em acompanhar. Trazendo todos os requintes de uma boa produção que merece ser elogiada. Com ganchos, e possibilidades em expansão do universo, esperamos rever Joel Dawson e Garoto numa nova jornada, o mais breve possível.

Classificação:

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O longa “Amor e Monstros” da 21 Laps Entertainment, Entertainment One encontra-se disponível na Netflix.

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