Ava (2020) | Crítica

Ao começar a falar de Ava é preciso ter em mente como a abstinência que estamos passando nesse momento de pandemia de salas de cinema provam como é preciso uma total imersão para que as obras sejam absorvidas em sua essência e sejam apreciadas com a devida percepção que foram desejadas em sua concepção.

Ava não se torna um filme menor por estar sendo dentro do sistema de streaming da Netflix, ele só é um bom exemplo de como as questões de cinema mudaram drasticamente no momento que estamos vivendo. A própria Netflix mudou nesses tempos e se antes estávamos nadando num mar com vários títulos ruins na esperança de encontrar uma boa obra para não se afogar, agora estamos recebendo vários títulos interessantes e que chega dão um quente no coração e não nos questionar mais se devemos continuar pagando o serviço. Portanto, confira prévia:

Ava é um filme de espião igual a vários outros, o que o torna diferente e melhor é como a narrativa não fica exclusivamente no embate vida secreta versus vida pública da protagonista. O foco aqui é como ela lida com essa discrepância das duas realidades em que está inserida e as consequências quando uma interfere diretamente na outra.

Esse é realmente um filme que foi feito para a tela grande e para não sofrer tanto foi entregue para uma tela pequena. Essa diferença é facilmente notada nas excelentes cenas de ação corporal que exploram totalmente a tela com o auxilio de uma câmera frenética e ao mesmo tempo analítica desses momentos. E mesmo defendendo que o tamanho da tela não interfere na qualidade de uma obra, fica visível quando um filme de um formato (ou no caso tamanho) é consumido em outro. O que deveria ser um deleite orgástico de ação se torna em uma confusão que os olhos não precisam muito se mover para ver – não tendo nem como fugir o olhar.

Por outro lado é muito interessante como a narrativa é rebuscada e seus poucos mais de 90 minutos soam mais longos, mas não sobre a ótica que o filme seja tedioso e sim pela profundidade e complexidade de todos os personagens que são apresentados e não parecem sub-aproveitados ou exageradamente inseridos nas cenas. Ava é a protagonista e todos os personagens de apoio estão ali para apoia-la e não roubar a cena dela.

Ava é um bom filme de personagem que se camufla tanto na temática (no caso um filme de espião) quanto no formato inserido. Ele queria a chance de ter sido apreciado na tela grande, mas devido a vários problemas acabou se contentando com a tela reduzida dos streamings.

Mas fica a dúvida que talvez seus erros não sejam tão grandes para serem perceptíveis num sistema de streaming com todos os questionamentos existentes nele como seriam numa tela grande. Há males que acabam vindo para o bem.

Classificação:

Veja críticas de algumas das produções ligadas a Netflix:

Ava encontra-se no catálogo da Netflix.

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