Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa (2020) | Crítica

Será que a DC acertou em Aves de Rapina, filme estrelado pela Margot Robbie e equipe? SIM, SIM e SIM!

Não estaremos dialogando aqui sobre um filme digno de Oscar, ou perfeito… Afinal, possui lá as suas mazelas como qualquer outra produção, mas trata-se de um longa condizente com o futuro que a nova equipe da divisão da Warner enxerga sobre as adaptações cartunescas da DC Comics. Retrata o amadurecimento, o resgate de sua identidade. E como o título gigante do filme sugere, também é a emancipação do estúdio frente a comparações com a rival, pois apesar de suas convergências criativas, ambas possuem diferenças significativas. O que não é ruim, pelo contrário, podemos amar o jeito DC de fazer cinema, e a maneira Marvel de fazer também (Scorsese que não leia). Confira prévia:

Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa da Warner é um longa despretensioso, corajoso, intenso, ideologicamente forte e contemporâneo. A nossa história começa com um ‘chute na bunda’ do Coringa em nossa palhacinha-vilã preferida, Arlequina (Margot Robbie). O filme deixa bem claro a relação doentia e opressora do principal arqui-inimigo do Batman a nossa protagonista. Com alguns contornos, é impossível você não comparar com a nossa realidade, a relação patriarcal, e muitas vezes escravocrata do homem com a mulher. Não irei trazer nenhum dado estatístico aqui, mas quantas mulheres não possuem uma formação semelhante à do homem, ou até superior, mas recebem bem menos, e a justificativa é inconcebível: Por que são mulheres. O filme deixa outro bom exemplo, a rejeição da autoridade da Detetive Renee Montoya (Rosie Perez) pelos pares, por ser mulher, pasmem!

O longa deixou claro a bandeira que iria erguer desde cedo, não de maneira forçada, impondo uma ideologia, mas esclarecendo por A+B, que homens e mulheres são iguais, e que também podem cometer atos de bravura, ou vilania no mesmo parâmetro. Poderia eu me estender nesse comentário, se também tomasse o exemplo da Canário Negro/Dinah Lance (Jurnee Smollett-Bell), mas voltemos a trama. Após a separação, Arlequina perde toda sua ‘proteção’ ante a cadeia criminosa de Gotham City, e passará por grandes apertos. Paralelamente, temos a Caçadora/Helena Bertinelli (Mary Elizabeth Winstead) buscando vingança dos assassinos de seus familiares, a jovem Cassandra Cain (Ella Jay Basco), exímia batedora de carteira, que irá furtar a pessoa ‘errada’ e, não menos importante, a Canário. As histórias irão se entrelaçar, como uma verdadeira colcha de retalhos, mas se dará maneira caoticamente perfeita.

Apesar de ser um filme para a Arlequina, estrelado por ela, a personagem com mais tempo em tela e a narradora da trama, a diretora Cathy Yan, não relativizou a importância da equipe, bem como de suas componentes, pelo contrário, todas encaixaram-se perfeitamente bem, cumprindo essencialmente, as suas reais funções [A DC aprendeu com os seus próprios]. Todas foram muito bem apresentadas, todas foram f$%#, criando até a possibilidade de se fazer filmes solos com as integrantes do grupo. As cenas de ação, sejam separadas ou em conjunto funcionaram perfeitamente bem [a título de curiosidade, o diretor especializado em cenas de ação da franquia John Wick também integra o corpo técinico desse filme], mescladas com uma boa fotografia, bons enquadramento, trilha sonora, Aves de Rapina não deixa a desejar, se comparado a qualquer filme do gênero, pelo contrário, o aprofunda.

A crítica está sobre a forma de contar o enredo, para inteirar o espectador, a trama possui vários flashback’s na primeira parte, e se você não estiver atento, perde-se facilmente, entretanto, tais recortes lembram a forma como muitas HQ’s contam a sua história. Ou seja, foi bastante arriscado, diria até audacioso, mas Christina Hodson sobrevive com sustos. O ponto forte dela neste trabalho está na composição da equipe, com resoluções rápidas e práticas e sim, na ótima inserção dos antagonistas, o mafioso Roman Sionis/Máscara Negra (Ewan McGregor) e o mercenário Victor Zsasz (Chris Messina). Normalmente, os filmes desse gênero possuem uma fragilidade enorme na concepção dos vilões, mas neste, ambos eram uns tremendos filhos da p$%#.

Com boas interpretações, bem ajustado, com uma identidade própria, Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa da Warner despontou nos cinemas no dia 6 de fevereiro. E sim, é um dos ótimos filmes pós-Liga da Justiça também da DC, que se diga de passagem, tem acertado de lá pra cá, já se foram: Aquaman, Shazam!, Coringa, todos bons ou excelentes e agora Aves de Rapina. Ou seja, há um futuro promissor para o estúdio.

Classificação: 

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A estreia de Aves de Rapina ocorreu no dia 6 de Fevereiro.

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