Away – 1º Temporada (2020) | Crítica

A Netflix traz o melhor do cinema para a TV, distribuído em 10 bons episódios, a primeira temporada Away, de Andrew Hinderaker (Peny Dreadful) e Jessica Goldberg (Parenthood), é uma verdadeira obra de ficção e drama que nos ensina sobre a nossa própria humanidade, ante os mistérios e desafios que só o espaço pode fornecer à caminho de Marte. Confira prévia:

Chegar ao planeta vermelho é um verdadeiro dilema para a NASA, há muitos entraves, desde técnicos à financeiros. Mas, como bem elaborado ainda no início do programa, as respostas nesta jornada podem tornar a Terra num lugar melhor, logo vale à pena o sacrifício. Away utiliza a inédita e quase impossível viagem como pano de fundo para dialogar com o espectador sobre assuntos sérios, e que nos tornam tão humanos.

Num ambiente confinado, aonde qualquer incerteza, ou mero ruído é um grande problema, cinco homens tentarão encontrar o caminho até Marte. Obviamente, a jornada de 8 meses não será nada fácil, além de lidar com a convivência ininterrupta, egos à flor da pele, os seus próprios demônios, o imprevisível é algo constante nessa aventura.

Liderados por Hilary Swank (Menina de Ouro, PS Eu te amo, Meninos não choram) – a comandante da missão Emma Grenn -, o programa da Universal Television possui uma ótima evolução textual, as resoluções e construções alegóricas são sinérgicas, os flashback’s são pontuais e os sentimentos encontram-se intrínsecos e necessários a cada subtrama explorada. Digamos que não há possibilidade alguma para não se envolver emocionalmente com Away. Todavia, o programa pode parecer para o público médio um tanto arrastado, logo faz-se necessário passar por alguns ajustes, na perspectiva de encontrar um equilíbrio narrativo pra isso.

Ahh! Já que citamos Swank no parágrafo anterior, falemos dela agora. Afirmar que ela esteve bem nesta produção é algo obvio, a estrela de Hollywood sempre se comportou bem frente as câmeras, mesmo quando muito nova. Digamos que a cada cena, ela transmitiu todo sentimento necessário, tornou o programa ainda mais humano e próximo do espectador. Todavia, ela não está só. Os componentes de sua missão espacial funcionam como pilares basilares nessa construção. Os arcos de Ram (Ray Panthaky), Lu (Vivian Wu), Misha (Mark Ivanir) e Kwesi (Ato Essandoh) são deliciosos de se acompanhar, não podemos afirmar que tais personagens são satélites, pelo contrário, como o equilíbrio que rege os planetas, os cosmonautas atuaram como seres individuais, mas de significativa importância pra estória. 

E é justamente aqui que repousará a multifacetada abordagem psico-afetiva e social do programa. Visitar os dilemas totalitários de um país, os preconceitos que carregamos, a fugacidade da realidade e o próprio conceito de fé e Deus, tornam os nossos queridos astronautas numa realidade nem tão distante assim. E essa reflexão permeará todos os capítulos de Away – Haja lencinhos!

Away/Netflix – Reprodução

Outro núcleo de extrema relevância, é o terreno. Nele identificamos importantes personagens, com destaque para Matt Logan (Josh Charles) e Alexis Logan-Green (Talitha Bateman) – os corações da série. Além de boas atuações, é nítido enxergar a dualidade, as preocupações, os sofrimentos e os ajustamentos necessários ante a distância e o iminente sentimento de perda. O staff de Away pode ficar tranquilo aqui, pois conseguiram criar diversos ambientes sólidos e interessantes para nos contar essa história, com a velha promessa de que tudo ainda pode melhorar numa eventual renovação do seriado.

Quanto aos componentes técnicos, não era de se esperar que um programa realizado com tantos recursos, e ótimos diretores e produtores-executivos envolvidos, como Matt Reeves (Batman, Planeta dos Macacos), Jason Katims (Roswell) e a própria Swank degringolaria nesses aspectos. A fotografia de Away é belíssima, principalmente ao chegar em Marte, a mixagem de som e os efeitos sonoros não destoam do desejável. A única situação abaixo do esperado é encontrada nos primeiros capítulos, quanto ao CGI. A cena em que a comandante Green e Misha terão que consertar a placa solar do lado de fora da nave ficou bem superficial. Mas, no todo, a série da Netflix é uma apoteose cinematográfica, repleta de boas atuações e cortes precisos.

Away é uma excepcional jornada a ser contada. A série pulsa sentimentos, emoções e qualidade técnica quase que inquestionáveis. Ao longo da primeira temporada a produção te leva a lugares exóticos, a lugares que jamais imaginamos estar, a ambientes familiares próximos ao seu, e tudo isso sem sair de casa. Away é uma viagem não a Marte, não ao espaço, mas ao interior de nossa própria humanidade.

Classificação:

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A primeira temporada de Away encontra-se na Netflix.

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