Carlinhos e Carlão (2019) | Crítica

Nos últimos meses, a Prime Video tem diversificado o seu catálogo de filmes, trazendo algumas comédias nacionais, e o destaque da vez é Carlinhos e Carlão, estrelado pelo astro do Porta dos Fundos, Luis Lobianco. Confira prévia:

Carlão, de Lobianco, é fruto de uma sociedade machista e preconceituosa, que não suporta dividir o espaço com alguém de um gênero ou sexualidade diferente a sua, mas tudo isso pode mudar com a chegada de um armário bem diferente à sua residência. De dia, Carlão é aquele velho homem, mas de noite, torna-se Carlinhos, um homem especial, alegre e feliz com sua liberdade sexual.

A estória é muito comum à outras produções do gênero, tornando o filme algo nada surpreendente, todavia o destaque fica para as ideias apresentadas no combate à homofobia. O cineasta Pedro Amorim consegue trazer o humor no tom ideal, e levanta notoriamente a bandeira da representatividade LGBTQI+ em nosso cotidiano. Com esforço do elenco e do roteiro, é apresentado algumas das muitas situações delicadas que um gay passa em nossa sociedade, desde uma agressão verbal à tentativa de assassinato, quando não o crime propriamente dito, por apenas ser quem o é.

Carlinhos e Carlão não ri do homem gay, ele não é visto, como foi nas novelas e filmes do passado como o alívio cômico, não desconstrói a humanidade de uma pessoa pela opção sexual, mas escolhe trazer a existência aquele mundo, apresentando a necessidade do diálogo e identificando o quanto somos semelhantes mesmo diferentes.

O filme tem no seu elenco o ponto mais alto dos muitos componentes de uma produção cinematográfica. Luis Lobianco, Thati Lopes, Thiago Rodrigues, Otávio Augusto e muitos outros abrilhantam o longa; denunciando à homofobia com a leveza e; inteligência humorística. Uma das muitas cenas, que posso destacar nos discursos impetrados aqui é o diálogo entre Carlão e seu pai Angelo, papel de Augusto, acerca dessa nova descoberta, quando o primeiro encontrava-se no hospital, ‘arregaçando’ a sociedade conservadora e hipócrita brasileira.

Todavia, o filme, como qualquer outro, apresenta lá as suas deficiências, entendo que era necessário esse ambiente descontraído, afinal, estamos lidando com uma comédia, mas a utopia dos fatos talvez tire o brilho purpurinado e alegre da causa, principalmente para àquele final. A relação entre o que deveria ser e a realidade, é bem mais dramático do que a ofertada. Mas, Carlão e Carlinhos diverte bem, talvez até eduque melhor o espectador comum, do que a realização de algumas campanhas conscientizadoras, trazendo a empatia como ‘mola propulsora’ nessa relação entre o plano das ideias e o real.

Inteligente, perspicaz, mas sim, apresentando alguns erros em seu roteiro, uma falta de equilíbrio e repetição de ideias, Carlão e Carlinhos cumpre com o seu objetivo, com as suas premissas. Diverte fazendo alusão do que a sociedade é e o que deveria ser. Com boa trilha sonora, e relativa qualidade fotográfica, o longa é uma boa pedida para toda família.

Classificação:

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Carlinhos e Carlão encontra-se no catálogo da Prime Video.

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