Conheça as 10 grandes trilhas sonoras do mestre Ennio Morricone | SiriLista

A sétima arte está de luto. Faleceu, no último dia 06.07, aos 91 anos, um dos maiores compositores de trilhas sonoras de todos os tempos, o mestre italiano, Ennio Morricone. Se as músicas são inseridas nos filmes com a finalidade funcional de complementar a narrativa, no objetivo de manter a atenção do público, Morricone foi um dos grandes compositores a elevar o status das músicas ao estado de arte. Sua contribuição é inegável. Seu legado será eterno.

Suas composições ajudaram a deslocar o eixo geográfico de um gênero intrinsecamente norte americano como o Faroeste, para as pradarias italianas, banhadas com molho Spaghetti. De sensibilidade ímpar, contribuiu em dar dimensão humana a violentas figuras mafiosas e, com ousadia, trouxe novas camadas para a história do Brasil, no tempo dos conquistadores, numa surpreendente integração com os nossos índios. Em outro momento sublime, ele consolidou uma bela homenagem a todos nós espectadores e apreciadores da sétima arte. A lista é extensa.

Entre inúmeras homenagens póstumas que recebeu de grandes nomes de Hollywood, certamente, uma delas trouxe um entendimento mais preciso ao retratar o mestre Morricone. “Por onde começar a falar sobre o icônico compositor Ennio Morricone? Ele poderia tornar um filme mediano indispensável, um bom filme em arte e um ótimo filme em lenda. Ele não saiu de meu aparelho de som, durante toda a minha vida. Que legado ele deixa para trás. Descanse em paz”, fala do cineasta Edgar Wright, @edgarwright, de filmes como Scott Pilgrim Contra o Mundo (2010) e Em Ritmo de Fuga (2017). Compartilhamos do sentimento de perda. Descanse em paz.

Compositor de mais de 500 trilhas sonoras, não foi pela quantidade que Morricone entrou para o panteão dos maiores compositores, mais pela qualidade, originalidade e impacto que suas trilhas provocaram e contribuíram para definir muitos filmes como grandes clássicos do cinema. São tantos temas inesquecíveis que fica muito difícil indicar os melhores. Impossível até mesmo de definir uma ordem de preferência. São temas, no mínimo, inesquecíveis. De uma tela do Youtube para o fundo de nossas almas. Obrigado, maestro.

Conheça uma seleção de grandes temas do mestre Ennio Morricone, por ordem cronológica.

1. Por um Punhado de Dólares (1964), de Sérgio Leone, com Clint Eastwood, Gian Maria Volontè, Marianne Koch, no filme que inicia a clássica trilogia dos dólares e inclui a Itália na geografia do Velho Oeste norte americano. Com apenas essa trilha, Morricone nem precisava fazer mais nada pelo gênero. Mesmo assim, ele prosseguiu. As contribuições do mestre são inúmeras. O Faroeste jamais será o mesmo.

2. Três Homens em Conflito (1966), de Sérgio Leone, com Clint Eastwood, Eli Wallach, Lee Van Cleef. Impactante encerramento da clássica trilogia dos dólares. Se alguém tinha dúvidas do talento de Morricone, essa música representa a quintessência de uma trilha perfeita que ainda nos apresenta outra de suas grandes composições com L’estasi dell’Oro. Só tenho três palavras para esse tema: Imortal, imortal, imortal.

3. Era uma Vez no Oeste (1968), de Sergio Leone, com Henry Fonda, Charles Bronson, Claudia Cardinale. Um pedaço da história do velho oeste numa releitura italiana, no clássico absoluto de Leone, com fundamental contribuição do mestre Morricone. E nem pense que a parceria entre os dois gênios do cinema italiano encerram aqui.

4. Os Sicilianos (1969), de Henri Verneuil, com Jean Gabin, Alain Delon, Lino Ventura. Uma produção franco italiana que marca o primeiro dos muitos encontros do mestre Morricone com a temática da máfia. Um extremo contraste entre a brutalidade presente nas telas e a sensibilidade do compositor.

5. Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita (1970), de Elio Petri, com Gian Maria Volontè, Florinda Bolkan, Gianni Santuccio. Uma trama política, intrigas, conspirações e muito suspense, bem conduzidas numa trilha influenciada pelas grandes composições de Bernard Herrmann feitas sob medida para os clássicos de Alfred Hitchcock.

6. Era uma Vez na América (1984), de Sérgio Leone, com Robert De Niro, James Woods, Elizabeth McGovern. Passado e presente se misturam para compor um painel sobre a história da mafia italiana nos Estados Unidos. Morricone se despede de Leone, em grande estilo, mas mantem a parceria em um dos muitos filmes estrelados por Robert De Niro.

7. A Missão (1986), de Roland Joffé, com Robert De Niro, Jeremy Irons, Liam Neeson. Nenhum estudo de história do Brasil estará completo sem essa superprodução, com grandes nomes de Hollywood, vencedora da Palma de Ouro do Festival de Cannes que retrata a influência da Igreja Católica sobre a cultura indígena e os conflitos diante da colonização portuguesa. Morricone nos entrega um apaixonante tema com solo marcante de oboé, além de marcar a trilha com ousadia em outro tema que representa bem o sincretismo religioso da influência católica, tendo um coral indígena brasileiro numa bela interpretação de Ave Maria, em Tupi Guarani. Trilha imperdível.

8. Os Intocáveis (1987), de Brian DePalma, com Kevin Costner, Sean Connery, Robert De Niro. O filme que deu o Oscar a Sean Connery retrata o clássico confronto entre a  lei, representada pelo agente Eliot Ness, e o crime, pelo perigoso mafioso Al Capone, numa atuação igualmente marcante entregue por De Niro. As trilhas sonoras de suspense ganham uma nova dimensão, em tons mais vibrantes, nervosos e tensos, com o tema composto por Morricone. Explosivo.

9. Cinema Paradiso (1988), de Giuseppe Tornatore, com Philippe Noiret, Salvatore Cascio, Marco Leonardi. Outro mestre do cinema italiano, Tornatore nos entrega um hino de amor ao cinema e retrata com perfeição a paixão do grande público pela sétima arte. Tudo belissimamente embalado pela inesquecível trilha de Morricone. E nem poderia faltar.

10. Os Oito Odiados (2015), de Quentin Tarantino, com Samuel L. Jackson, Kurt Russell, Jennifer Jason Leigh. Tarantino busca com ousadia deixar sua marca para o faroeste, resgatando grandes temáticas do gênero como as viagens de diligência. Ainda por cima consegue fazer justiça ao mestre Ennio Morricone que conquista seu primeiro e único Oscar, mesmo considerando uma carreira tão marcante. Se bem que a Academia tentou corrigir isso antes, concedendo um Oscar honorário pelo conjunto de seu trabalho. Mas Morricone não decepciona nem por um momento e faz um trabalho digno de seu legado para o cinema.

Se alguém tinha alguma dúvida do talento do mestre Ennio Morricone, isso, com certeza, fica para trás, diante de tantos temas inesquecíveis. Não pense que a lista de trilhas memoráveis do grande mestre se limita a esse punhado que  trata apenas de uma pequena amostra de um universo tão extenso, tão representativo, sem fronteiras, sem limites de gênero, tão clássico quanto atual, tão Ennio Morricone. Um gênio da história do cinema. Sua música merece ecoar por toda a eternidade.

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