Convenção das Bruxas (2020) | Crítica

Em uma de suas passagens mais marcantes da primeira adaptação de Convenção das Bruxas (de 1990) vemos transformações medonhas das vilãs em ratazanas com muito body-horror e escatologia dentro de um auditório com uma arquitetura gótica. Na adaptação que estreia nos cinemas agora, no dia 19 de novembro, a mesma passagem deixa de ser no auditório para se passar numa sala de jantar solar e no lugar de efeitos práticos temos computação gráfica em excesso que não assustam como deveriam.

A adaptação recente dirigida Robert Zemeckis (e com nomes de grife na produção como Alfonso Cuarón e Guillermo del Toro) subestima seu público alvo. Por mais que a sensação de aventura aqui seja bem mais intensificada, a percepção de terror – o que fez o filme noventista ser tão consagrado e lembrado por todas as crianças que o assistiram – parece estar constantemente pisando em ovos. Confira prévia:

Fica claro que a abordagem que Zemeckis busca aqui é totalmente diferente da qual Nicolas Roeg fez em seu filme. Enquanto o inglês se divertiu trazendo questões do cinema de gênero para seu filme, aqui o americano está mais preocupado na dinâmica que o seu filme pode ter quando deixamos de ter a visão de uma criança para a de um rato como protagonista.

Em partes isso funciona quando estamos diante da ação, mas quando o filme tenta seguir por um caminho mais soturno fica perceptível como as questões de terror são importantes para uma trama que tem como principal plot a existência de bruxas e o seu plano maligno de transformar crianças em ratos para que depois eles sejam mortos.

Anne Hathaway consegue convencer com uma atuação que bebe diretamente da arte drag americana assim como a presença em tela de Octavia Spencer acaba sendo agradável para quem assiste. Mas quem merece mesmo destaque é a atuação corporal que os técnicos de efeitos especiais conseguiram fazer com os 3 ratos principais. Muita da comédia do filme está em como eles são inseridos nas cenas e como se comportam diantes de algumas situações.

Convenção das Bruxas dirigido por Robert Zemeckis segue um caminho diferente da primeira adaptação da obra do Roald Dahl. A ação aventuresca (a especialidade do diretor) até convence, mas se perde quando tenta alcançar a essência lúgebre que a obra original possui.

Se passar na sessão da tarde as crianças provavelmente vão se divertir. Mas, logo que acabar irão se esquecer.

Classificação:

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O remake Convenção das Bruxas, da Warner Bros., está programado chegar aos cinemas amanhã, dia 19 de Novembro.

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