Estado Zero – 1ª Temporada (2020) | Crítica

Estado Zero, a nova produção australiana da Netflix, nos faz questionar um coisa que constantemente é destaque no audiovisual (e em toda a arte): Quem realmente somos? E como podemos ser retratados em nossa história?. Confira prévia:

Co-protagonizado por 3 personagens, a trama da minissérie foca na situação de imigrantes e refugiados que tentam entrar na Austrália e acabam em uma prisão estadual até que seja permitido (ou negado) seu visto para permanecer no país.

Por mais que a história seja focada em 3 visões diferentes da situação, o protagonismo da série está em Yvonne Strahovski e na sua personagem que por um erro do governo não percebe que é cidadã australiana com transtornos mentais, e que acaba sendo confundida com uma imigrante alemã em busca de asilo. A série a todo momento (ou melhor: em toda introdução de capítulo) nos faz questão lembrar que aquilo que estamos vendo são baseados em fatos reais, pois essa história da Sofie Werner realmente aconteceu com uma cidadã australiana em meados dos anos 00.

No entanto, o maior problema da série é a baixa criticidade (até de forma eficiente) as autoridades. Faltou profundidade as instituições. Infelizmente, o programa ficou perdendo tempo na história da australiana que está ali por engano. Não me entendam mal, é muito bem feito o desenvolvimento da personagem e até doloroso perceber em tela a degradação de seu estado mental, mas por ser uma série sobre imigrantes chega a ser tedioso quando o roteiro passa tanto tempo preso numa história que deveria ser apenas introdutória a aquela realidade e não um plano de fundo para tudo ali.

Estado Zero/Netflix – Reprodução

Estamos entrando em uma realidade diferente do cinema e da televisão. Antes pequenos e marginalizados grupos possuíam apenas espaço de telas de produções pequenas e distantes do mainstream, e agora estão sendo abertas portas para esses grupos poderem contar suas histórias. Porém é muito comum que o protagonismo seja transferido para protagonistas que representem o que conhecemos como privilegiados para que aquela história se torne mais palatável o grande público que ainda não aceita não ser o centro das atenções até mesmo em histórias que não são sobre eles.

Estado Zero é um bom exemplo de como ainda não estamos maduros para expor mazelas sociais sem precisar silenciar de alguma forma grande grupos. E por mais que a série seja eficiente na realidade que tenta retratar a pergunta que sempre fica quando acaba um capitulo é: quem são realmente os protagonistas dessa história sobre os imigrantes? Os imigrantes? Ou os nativos que precisam lidar com eles?

E se essas perguntas surgem é preciso realmente rever se é justo contar histórias silenciando os verdadeiros donos delas.

Classificação:

Veja críticas de algumas das produções ligadas a Netflix:

A primeira temporada de Estado Zero encontra-se no catálogo da Netflix.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *