Estou Pensando em Acabar com Tudo (2020) | Crítica

Todos os filmes do Charlie Kaufman, seja ele dirigindo ou só roteirizando, pedem um pouco de esforço daqueles que o assistem. Não que seja filmes difíceis, mas são claramente viagens sem precedente na psique humana e de todos aqueles que ousam produzir conteúdo criativo.

Estou Pensando em Acabar com Tudo, nova produção ‘surtada’ da mente de Kaufman que a Netflix resolveu abraçar, é aquele tipo de filme que a sinopse não basta para tentar introduzir no seu tema. Como todos seus filmes anteriores, os telespectadores precisam ir prontos para se aventurar no desconhecido e no abstrato. Confira prévia:

Quando o casal no carro, em viagem para a moça conhecer os pais do rapaz, ficam presos num vômito de verborragia acaba sendo a viagem de ácido mais intensa que o filme proporciona. Nem o tempo se misturando na casa ou no colégio é capaz de ter tanto a intensidade que as cenas dentro do carro.

Em uma das passagens, quando o casal começa a debater sobre Uma Mulher Sob Influência de John Cassavetes é muito intenso quando a personagem de Jessie Buckley incorpora uma crítica de cinema (claramente Pauline Kael que detestava o cinema de Cassavetes) e destroça o filme com uma visão inteligente e peculiar de se ver a obra-prima do pai do cinema independente americano.

Mas por qual motivo estou citando isso? (Não é só porque sou o maior fã de Cassavetes que existe) É pelo fato de como filme brinca com a identidade e como somos complexos até quando somos nós mesmos mas nos vemos em diferentes perspectivas de vista e tempo.

A personagem de Gena Rowlands no filme de Cassavetes é constantemente vista em duas óticas, como fica claro na discussão no carro. Os personagens do filme também são vistos em diferentes óticas. Temos a visão pessoal de cada um, dos seus parceiros de cena e do telespectador. E parece que é esse choque de visões que está a todo momento fazendo que a fita se transmute enquanto a estamos assistindo.

Estou Pensando em Acabar com Tudo/Netflix – Reprodução

No final, quando estamos diante de uma peça de teatro com os atores com uma maquiagem exageradamente caricata de envelhecimento, é quando percebemos que o filme não é especificamente sobre um tema especifico.

Estou Pensando em Acabar com Tudo é sobre identidade, sobre perspectiva, sobre o tempo e sobre como nossas relações podem nos moldar e também como podem nos confundir sobre quem somos e sobre como a realidade realmente é – ou deveria ser.

Classificação:

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Estou Pensando em Acabar com Tudo encontra-se no catálogo da Netflix.

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