Expresso do Amanhã – 1ª Temporada (2020) | Crítica

Com prazo de validade, pouca intercorrência, mas de extrema sensatez, possibilidades e ótimos arcos, chegou o programa da TNT Series, distribuída em nosso país pela Netflix, Expresso do Amanhã, ou simplesmente Snowpierce. Confira prévia:

Baseado numa HQ francesa de mesmo nome, escrita por Jacques Lob, Benjamin Legrand Jean-Marc Rochette, o Snowpierce não sofre a sua primeira adaptação. Será necessário revisitarmos o filme lançado em 2013, de mesmo título, dirigido pelo vencedor do Oscar na categoria de Melhor diretor desse ano, pelo longa Parasita, o cineasta Bong Joon-ho, atual produtor-executivo da série. Ou seja, não se enganem se enxergarmos algumas semelhanças daquela produção cinematográfica à novíssima série da Netflix.

Notoriamente, Joon-ho terá mais tempo para trabalhar as suas ideias, expandir, aprofundar, extrair conceitos sobre a desigualdade social e a luta de classes dentro do programa, tão presente em nosso dia-a-dia. Todavia, ele não está só, ao lado de Josh Friedman (Dália Negra, Guerra dos Mundos), o diretor do programa, Bong ganhará novos componentes contextuais, tornando, portanto, o Expresso do Amanhã numa ótima sincrasia cartunesca entre ambos os mundos, dos livros ao filme.

Expresso do Amanhã/TNT Series/Netflix – Reprodução

Num futuro nem tão distópico assim, o clima na Terra mudou, as geleiras derreteram, vidas foram apagadas e tudo ficou mais quente, lógico, fruto das múltiplas ações antrópicas negativas e espalhadas em todo o globo. Das Guerras, as tentativas de manter o clima estável, agradável, o planeta foi mergulhado num processo de congelamento sem precedentes. E os últimos seres vivos estão presentes numa máquina de ferro, composta por 1001 vagões que viaja por toda Terra.

Criado para os mais ricos – e como argumentado na série, os verdadeiros causadores dos graves problemas ambientais -, o Snowpierce será a última reserva de vida no planeta. Dividido em várias classes sociais, o trem denota um certo principio de equilíbrio, algo favorável para quem detêm o poder, mas tudo isso pode mudar. Pois, os ‘fundistas’, passageiros marginalizados que entraram no trem clandestinamente e liderados por Andre Layton (Daveed Diggs), planejam uma revolução, nas busca por uma melhor distribuição de riquezas. Entretanto, não será nada fácil para o grupo empreender um mudança no eixo, e lidar com o sistema, principalmente com Melanie Cavill (Jennifer Connelly), secretária do Sr. Wilford.

Claramente, o Snowpierce é um arquétipo da Terra, não apenas quando visualizamos as chamadas classes sociais, mas também, quando enxergamos na personagem de Connelly, uma déspota esclarecida, atuando como a ‘voz de deus’, aqui representado pelo Sr. Wilford. Esses são pequenos paralelos com o Mundo real. Poderíamos citar a devassidão presente no sistema judiciário do trem, ou a inobservância dos fatos. Portanto, falar do Expresso do Amanhã é compreender a nossa própria humanidade. Afinal, a série da Netflix nos faz exercitar capitulo-a-capitulo o senso de moralidade adequado, uma verdadeira luta colossal entre o que é aceitável e duramente errático; desumano.

Expresso do Amanhã/TNT Series/Netflix – Reprodução

Sobre o enredo, ele funciona bem, lembrando um trem passeado em várias estações, deixando passageiros e colhendo outros. Obviamente há furos dentro do contexto, mas no todo, é intrigante e deliciosa de se acompanhar, desde a série de assassinatos a luta revolucionária. Entretanto, esse não é o ponto alto da trama.

O Expresso do Amanhã tem em seu elenco o grande peso do sucesso, há espaços para outros atores dentro da história do Snowpierce, com arcos interessantes, como: Ruth Wardell (Alison Wright), Bess Till (Mickey Simner), mas sobre os protagonistas, Jennifer Connelly e Daveed Diggs, a Melanie Cavill e o Andre Layton, respectivamente, repousam a sobriedade do programa. Pólos dessa história, eles extrapolam em capacidade inventiva e profundidade – o legal do programa foi observar as mudanças comportamentais dos personagens durante o processo.

Por conseguinte, podemos cravar que programa da Netflix possui uma ótima percepção do atual cenário mundial, condensando isso brilhantemente bem, em sua primeira temporada. O Expresso do Amanhã discorre com propriedade sobre os nossos problemas, ao tom cartunesco que a HQ permite e exige.

Todavia, não se enganem, apesar de Expresso do Amanhã extrapolar em dinamismo e boas ideias, a série possui prazo de validade, e seus produtores devem se a ter a isso. Mesmo com a chegada de um grande componente a estória e possíveis desdobramentos, o Snowpierce já trilhou boa parte do caminho, e precisa encontrar boas soluções para a conclusão do arco original.

Classificação:

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A série Expresso do Amanhã foi renovada, e a sua primeira temporada encontra-se no catálogo da Netflix.

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