Fuja (2021) | Crítica

Toda a questão da precariedade nunca foi algo que limitou o cinema de gênero. Até pela marginalidade que esse tipo de filme teve que viver para encontrar seu público é a prova que o cinema underground americano distante dos padrões hollywoodianos sempre encontrou uma forma de encontrar seu lugar ao sol. Confira prévia:

As limitações que a pandemia do corona vírus causaram na forma de criar conteúdo atacou diretamente o cinema e se tivemos uma escassez de grandes produções acabamos ganhando títulos que mesmo que não alcancem um nível elevado de qualidade nos faz refletir e questionar se o cinema precisa realmente ser grandioso para alcançar grandes emoções a quem assiste.

A experiência de assistir Fuja em plena pandemia acaba sendo divertido pelo fato do filme abraçar as limitações da sua personagem para entregar um filme que em vez de seguir pelo lado cafona e capacitista da força se abraça com as superações que a protagonista e sua narrativa podem alcançar. Não sentimos falta de um grande número de pessoas, na verdade são nos momentos com elas que o filme perde sua força. Toda a sinergia está na dinâmica da filha cadeirante numa casa que ao mesmo tempo que parece ser inclusiva para suas necessidades se torna hostil na primeira investida fora das normas pré-estabelecidas da rotina.

O plot twist é algo previsível nos primeiros minutos de filme e o diretor parece estar ciente disso quando no segundo ato já revela tudo e aquilo que parecia uma enorme tentativa de estabelecer a dinâmica das duas protagonistas se torna um jogo de gato e rato onde o maior vilão é o espaço que ambas ocupam e não uma contra a outra.

Não consigo ter amores por uma Sarah Paulson que entrega sempre a mesma estética de atuação. Ela funciona aqui porque seu antagonismo com Kiera Allen mais um roteiro bem estruturado faz com que o arroz com feijão dela se torne um banquete quem sente fome.

Ironicamente, o maior erro desse filme é o que fez o anterior do diretor Aneesh Chaganty (o interessantíssimo Searching) ser tão bom. Se no filme de 2018 a estrutura subversiva de fazer um filme todo pela tela de um computador para acabar de uma forma clichê funciona pela discrepância, aquilo o final não entrega uma satisfação necessária para que o filme seja bem lembrado – se é que alguém lembrará mesmo dele daqui a algum tempo.

Classificação: Círculo de Fogo: The Black

Veja outras críticas nossas, de produções da Netflix:

O filme Fuja encontra-se na Netflix.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *