Judas e o Messias Negro (2021) | Crítica

A questão dos filmes políticos é algo que sempre vai entrar em embate na cabeça daqueles que ousam a escrever sobre cinema. Qual é o critério para que esses filmes sejam bons ou ruins? Porque é claro que o interesse deles está acima do fazer cinema e mais na mensagem que se deseja passar.

Judas e o Messias Negro, da Warner Bros., é um filme político e seu cinema é quase nulo. E isso é bom ou ruim? Vamos debater sobre isso nas próximas linhas. Mas antes, confira prévia:

Focado na relação entre o vice-presidente dos Panteras Negras e seu chefe de segurança (que depois é descoberto como traidor), o filme não esconde logo nos seus minutos iniciais que está mais preocupado com a história a ser contada do que como contá-la para o público. Logo em seus minutos iniciais os mocinhos são mostrados e os vilões declarados.

Diferente de filmes com as mesmas características, a persona do “judas” do título não é trabalhada só na questão da traição. O personagem interpretado por Lakeith Stanfield consegue convencer como o traidor que não teve opção de fazer isso. Sua luta contra suas próprias atitudes e a sua crescente degradação são o fio condutor do filme.

Mas agora voltamos para a questão inicial desse texto pois não consigo deixar de questionar o papel do filme como cinema. Não existe uma regra de como os filmes devem ser, mas a todo momento durante a fita questiono meu papel como crítico, como telespectador e até mesmo como negro. Não que o filme seja um desserviço racial como foi Green Book, mas ao mesmo tempo não é um primor cinematográfico como Get Out.

Será que estar no meio termo é válido? Para um tipo de produção que é feita uma vez perdida, sim. Estamos tão acostumados a receber filmes meia-boca sobre a vida branca que quando recebemos um filme meia-boca sobre a vivência preta é para celebrar. Mas não fiquemos mal acostumados. Continuaremos a combater o racismo na sociedade e também os filmes preguiçosos tecnicamente.

Classificação:

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O filme Judas e o Messias Negro chegará amanhã (25) nos cinemas nacionais.

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