Los Lobos (2019) | Crítica

Um cinema que clama por urgência nem sempre tem em sua narrativa um imediatismo que sufoca ou que tem uma necessidade obsessiva por soluções. Abraçar um debate com calma pode parecer uma resolução tola, mas é preciso muita evolução para entender que é na quietude que se está a verdadeira compreensão das coisas.

“Los Lobos” não é um filme que se torna mais belo por ter uma diegese que não tem pressa para se desenvolver. Muito dessa lentidão está relacionada exclusivamente pelas limitações que a produção não esconde em nenhum momento enfrentar.

A saga dos irmãos que lutam contra o tédio enquanto a mãe enfrenta dificuldades financeiras para conseguir uma vida melhor cresce como a escalada de camadas complexas e o que fica em tela é uma reflexão bem introspectiva sobre a relação estadunidense (e por que não global também?) com os seus imigrantes.

A beleza aqui está muito mais na intensidade das atuações amadoras que estão diante de nós que na construção de personagens e ambientes que o filme cria primorosamente. Em nenhum momento parece que estamos em frente de atuações engessadas, e tudo aquilo que poderia ser artificial entrega muita profundidade emocional e em alguns momentos esquecemos que é um filme que estamos assistindo.

O tom de fábula aqui é o verdadeiro culpado da única contestação que o longa pode ter que enfrentar dos telespectadores. A dureza da realidade parece se diluir quanto mais entramos na perspectiva dos garotos. E isso poderia ser um ponto forte se o filme não começasse tão agridoce e terminasse em nossas bocas com toques excessivamente doces.

 

Classificação:

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Distribuído pela Vitrine Filmes, “Los Lobos” é dirigido por Samuel Kishi Leopo e estreia nos cinemas dia 16 de setembro.

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