Malcolm & Marie (2021) | Crítica

O cinema independente americano sempre estará em dívida com John Cassavetes. Mesmo depois de décadas da morte do pai do cinema independente americano, sua originalidade e maestria de alçar os sentimentos mais degradantes e catárticos na tela é algo que ainda impressiona e influencia. Malcolm & Marie é um autêntico filho de Cassavetes, mas que, assim como os gêneros mais contemporâneos, destoam um pouco do que caminho que esse tipo de cinema propõe seguir. Confira prévia:

A verborragia; os planos inventivos; até mesmo a fotografia minimalista que foca no preto e branco para que os diálogos sejam o verdadeiro foco da produção. O que o diretor Sam Levinson quer aqui é que nos sintamos na pele dos personagens enquanto eles jogam para fora todas as angustias e conflitos que possuem em suas relações e na forma que um enxerga o outro.

Por se passar num cenário limitado e até mesmo numa só noite, é de imediato que venha na mente exemplo de produções que seguem esse rumo narrativamente. Seja Quem Tem Medo de Virginia Wolf? ou até mesmo algo mais requentado como A Noite de Antonioni, o foco teatral de uma relação sendo destrinchada noite adentro nos faz entender que estamos muito além de um experimento cinematográfico e o que realmente interessa aqui é a degradação em tela.

O que o filme possui de beleza técnica, peca no texto que em momentos que deveria pegar fôlego se torna algo sufocante por não saber fazer uma transição convincente da tristeza para a euforia, da encenação para a realidade. O que tivemos no começo de pura energia, da metade para o filme vai do repetitivo para o enfadonho.

Assim como Jazz (que ecoa belissimamente durante toda a obra), Malcolm & Marie parece como uma Jam Session. Ora soa genial, ora parece o momento ideal para ir ao bar pegar uma bebida até que a banda volte a ter verdadeira sintonia e consiga, enfim, voltar entreter com qualidade.

Classificação:

Veja críticas de algumas das produções ligadas à Netflix:

O longa “Malcolm & Marie” encontra-se no catálogo da Netflix.

2 Replies to “Malcolm & Marie (2021) | Crítica”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *