Mortal Kombat (2021) | Crítica

Antes de fazer essa crítica, eu assisti o filme umas três vezes para não ser injusto com a minha primeira impressão (sei que muitos que assistiram vão dizer “QUE TORTURA” mas realmente tive que fazer isso e entendo a opinião de vocês) e realmente só constatei o que tinha percebido na primeira vez que assisti e me fiz algumas perguntas: “Será que não tinha ninguém da produção com bom senso para opinar  e corrigir as falhas do filme? Alguém jogou os jogos? Alguém assistiu a obra de 95?

Podemos muito bem dividir essa crítica em:

01 – Pessoas que não vão gostar por causa da estória.

02 – Pessoas que não vão gostar por causa dos personagens.

03 – Pessoas que não vão gostar por causa dos efeitos especiais.

04 – Pessoas que vão gostar apesar de todos os problemas acima.

Com perguntas sem respostas, vamos tentar explicar o inexplicável. 

 

  • O QUE ACONTECEU COM A ESTÓRIA?

Em se tratando de estória, a primeira geração de jogos tinha uma “lore” quase inexistente e eram feitos para o que se propunha, que era diverti o jogador. Com a chegada dos consoles mais modernos, as empresas de jogos puderam ousar e colocar arcos narrativos em seus jogos de luta como Street Fighter, Samurai Shadow, KoF e outros. Assim também foi com com Mortal Kombat com a chegada de MK9 (seguido por MKX e MK11) onde tivemos a noção da grandeza da estória, ver as motivações de cada personagem e finais épicos.

A estória desse reeboot tem algumas mudanças sutis e outras que beiram o ridículo. Podemos citar como um exemplo sutil o fato de que quem matou a família de Hanzo Hasashi (Scorpion), no filme, foi o próprio Bi Han (Sub-Zero) enquanto que no jogo foi o bruxo Quan-Chi disfarçado de SUB-ZERO. Um exemplo grotesco (e bota grotesco nisso) foi que no filme, cada habilidade dos personagens não são meras habilidades e sim magias ARCANAS (sim, arcanas). Isso cairia bem em explicar as bolas de fogo de Liu Kang mas dizer que os braços TECNOLOGICOS de Jax são magias arcanas pra mim, foi demais. Palmas para Greg Russo (Resident Evil), Sean Catherine Derek (Bionicle: A Lenda Renasce), David Callaham (Os Mercenários), Drew McWeeny (Pro-Life) e Rebecca Swan (Extremity) que não tiveram coesão na narrativa.

 

  • O QUE ACONTECEU COM OS PERSONAGENS?

Focando nos pontos negativos e tirando Scorpion e Sub-Zero (são os que salvam o filme), podemos citar um protagonista que não tem nenhum carisma. Cole Young (Lewis Tan) é um lutador de MMA (trazendo as artes marciais atuais para o filme) que perde para todo mundo mas consegue matar Goro? Cadê a jornada do herói? E o Goro? O campeão dos vilões perdendo para um novato? Pelo menos no filme de 1995, Goro perdeu para Johnny Cage que era um ator de sucesso e sabia lutar.

O odiado Kano (continua sendo odiado), interpretado por Josh Lawson, é o alívio cômico do filme mas peca pelo excesso de piadinhas sem graça e distorções de valentia.

Chin Han foi muito mal aproveitado com o seu Shang Tsung que não entrega, por culpa do roteiro, toda a vilania esperada desse intrigante personagem.

Não entendi a inversão de importância de Liu Kang (Ludi Lin) e Kung Lao (Max Huang) na trama. Liu Kang se torna um mero bajulador de Kung Lao (que com a morte dele, o reino da Terra não teria chance). Já não basta ver Liu Kang perder o status de herói da Terra para o Cole Young e ainda por cima virar bajulador. Que roteiro é esse?

Jax (MehCad Brooks) foi linear mas a Sonya (Jessica McNamee) teve muitos altos e baixos tanto pela trama quanto pela atuação.

Apesar da estória, podemos tirar o chapéu para Joe Taslim com o seu congelante Sub-Zero e muito mais para Hiroyuki Sanada com seu vingativo Scorpion. O filme crescia quando os dois estavam em tela (pena que em poucos momentos). A luta final é de um primor tanto na coreografia quanto nos easter eggs (Sub-Zero transformando o sangue de Scorpion numa adaga congelada).

 

  • E OS EFEITOS ESPECIAIS?

Por causa do baixo orçamento, os efeitos não tiveram uma arte primorosa mas entregou a experiência (tanto que deu para pular na cadeira com o fatality de Kung Lao e todo aquele sangue jorrado na nossa cara).

O Goro digital também entregou a experiência mas faltou tempo de fala para o mesmo. Os designes de Scorpion, Sub-Zero, Kabal e Kung Lao foram acima do esperado mas a Mileena (Sisi Stringer) e Raiden (Tudanobu Asano) deixa a desejar.

Em termos, os efeitos não foram primorosos mas nada que desabone o filme. 

 

  • CONCLUSÃO

Infelizmente para nós, fãs da franquia Mortal Kombat, o filme nos revelou sendo mais um “Friendship” do que um “Fatality”. O que posso dizer para você que não viu e que é fã, assista com expectativa zero. Você que não é fã mas curti filme de porrada, pode ser que goste. E você que não sabe nada de Mortal Kombat (quase impossível nos tempos de hoje mas vai que…), assista e tire as suas conclusões.

 

Classificação: 

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O filme “Mortal Kombat” estreou mundialmente no dia 15 de abril, mas aqui, no Brasil, ele só estará disponível a partir de 20 de maio nos cinemas.

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