Nós (2019) | Crítica

A minha maior preocupação quando teço comentários sobre um filme, uma série é levar uma visão social, psicológica, técnica daquela obra, daquele projeto ao comum, trazendo para o grande público a minha opinião – e, diga-se de passagem, nem sempre iremos concordar, mas esse espaço aqui, é para o debate, pois não há verdades absolutas para o homem, afinal tudo muda o tempo todo, como já ouvimos numa bela canção.

E o último trabalho de Jordan Peele nas telonas foi difuso, confuso no final e repleto de alegorias. “Nós” não será o longa que marcará a carreira do brilhante cineasta, bem diferente do que ocorrera em Corra! – vencedor do Oscar de melhor roteiro original em 2018. “Nós” entrará no seleto hall de filmes que precisam ser estudados, debatidos, conjecturados, entretanto não serão valorizados pelo público em geral.

A trama passa-se nos tempos atuais, após um evento “apocalíptico”, seres de uma realidade distorcida, alternativa, buscam substituir seus semelhantes, as pessoas “originais”. Vestidos de vermelho, luva laranja no punho direito e uma baita tesoura dourada, esses “clones mal intencionados” pretendem “ocupar” um espaço relativamente seu na sociedade.

Se você gosta de suspense, com mesclas de terror, o filme cumpre muito bem esse conceito. Fui surpreendido positivamente, a agonia tão característica desse segmento, com uma trilha sonora envolvente, já está presente no primeiro trecho do filme, não mais deixando a trama até o seu término. O legal da narrativa do escritor, produtor e diretor Jordan Peele é o alivio cômico em “Nós”, parece ser escolhido no momento certo, misturando sentimentos, sentidos e pensamentos de uma maneira única, peculiar, tão característico de Peele, deixando a sua marca nas produções audiovisuais.

Contudo, o posicionamento do enredo não foi tão claro assim, o cinéfilo comum ficará um tanto perdido – o que é natural – o longa possui diversas alegorias, impactantes até nesse diálogo com a sociedade. Desde a escolha das armas, das tesouras douradas – laminas opostas, apesar de semelhantes -, campanhas de atos em pró da sociedade, ao inimigo semelhante a nós mesmos. Segundo a atriz protagonista, Lupita Nyong’o – que por sinal esteve muito bem na trama – o longa trata do nosso verdadeiro monstro, adversário, do nosso verdadeiro obstáculo, nós mesmos. O que corrobora com as salas de espelhos e o mundo paralelo em que os “outros” vivem. Entretanto, as múltiplas teorias não serão detalhadas aqui, pois precisamos falar acerca do filme, e não seus possíveis desdobramentos.

Pensando como um simples frequentador de cinema, que gosta de ir as salas de cinema semanalmente, mensalmente, o filme talvez não corresponda aos nossos anseios. Entretanto, o filme é ligeiramente bom sim. Com ótimas atuações, múltiplos sentimentos, e diversas problematizações, “Nós” é um verdadeiro convite a conhecermos a nós mesmos, conhecermos os limites e nossas loucuras. Do que o homem seria capaz de fazer consigo. Possibilitando uma profunda reflexão diante do texto de “homini lupos homini” proferido ainda no século 2, a.C por Plauto, mas popularizada no séc. 17 d.C por Thomas Hobbes – “Lupus est homo homini” -, que talvez faça o maior sentido aqui? “Homem lobo do próprio homem”?

Verdade seja dita, a descida de Adelaide (Lupita Nyong’o) a um dos túneis, repleto de coelhos, referenciam ao clássico de Lewis Caroll, escritor de Alice no País das Maravilhas, um convite a conhecermos a nossa própria loucura.

Classificação:

Nós estreou no dia 21 de Março, e está em cartaz nos cinemas.

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