O Diabo de Cada Dia (2020) | Crítica

Acima de qualquer coisa, o cinema é uma ferramenta de imersão e de encantamento. E quando falo encantamento não é só do significado de deslumbramento, mas também no sentindo de feitiço. O Diabo de Cada Dia, nova produção da Netflix em meio a uma pandemia, é o bom exemplo de como um filme pode ser imersivo, mas ao mesmo tempo carregar os dois pilares da palavra encantamento: o deslumbramento e o feitiço. Vejam o trailer:

Ao acompanhar a triste família Russell e todas as pessoas que cruzam seu caminho, ficamos diante de um verdadeiro jogo de personagens que até que lembram os filmes do Robert Altman, mas sem todo o brilho que o diretor americano carregava e conseguia fazer com suas mãos de polvos ao administrar com maestria as diversas narrativas que se entrelaçavam na tela. 

O Diabo de Cada Dia – Netflix – Reprodução

Antonio Campos não é uma pessoa conhecida do grande público, mas em seu filme anterior ele teve a coragem de desbravar a história de um dos primeiros grandes mitos da internet que foi o suicídio ao vivo da jornalista Christine Chubbuck. Em O Diabo de Cada Dia, o suicídio também é objeto de estudo mas, diferente de Cristine, aqui ele está mais entrelaçado ao medo do que ao desespero e a revolta.

O Diabo de Cada Dia – Netflix – Reprodução

Por ter tantos personagens e ao mesmo tempo carregar um texto bem potente e polêmico, ficamos divididos no que realmente é o objetivo do diretor. O excesso de figuras para acompanhar acaba que dissipando o impacto que o desenrolar da narrativa poderia causar nos telespectadores.

O Diabo de Cada Dia – Netflix – Reprodução

O grande mérito – incrivelmente – é a narração em off que ficou a cargo de Donald Ray Pollock, o próprio autor do texto base do filme. Sua voz forte ajuda ao filme ter a melancolia que o diretor tanto tenta conseguir com sua câmera. São raras as produções que conseguem fazer uma narração ser precisa e não redundante.

O Diabo de Cada Dia – Netflix – Reprodução

O Diabo de Cada Dia fica na linha tênue da palavra encantamento e seus significados: na tese é um deslumbre, na prática é um “embruxamento”.

Classificação: 

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O Diabo de Cada Dia encontra-se no catálogo da Netflix.

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