O Príncipe Dragão – Parte 3 (2019) | Crítica

Estamos acompanhando temporada a temporada, a boa animação O Príncipe Dragão, produzida pela Wonderstorm e que leva o selo original da Netflix, chegando ao streaming no dia 22 de novembro [veja o trailer].

Automaticamente, a nossa história ganhou mais vida, boa parte das perguntas deixadas durante as últimas temporadas foram respondidas e o arco pré-estabelecido, adquiriu seus derradeiros contornos, entretanto o showrunner Aaron Ehasz, que esteve à frente de Avatar: A Lenda Aang da Nickelodeon, deixou encaminhada uma próxima aventura no continente de Xadia.

Na segunda temporada, o trio Ezran, Callum e Rayla haviam se separado, o primeiro voltou a Katolis para retomar o reino deixado por seu pai, já o casal tinha o dever de entregar o príncipe Dragão Azymondias (ou Zym) a mãe, na perspectiva de restabelecer a paz entre humanos, e seres não humanos. Portanto, essa nova parte será dividida em duas frentes até a batalha final.

Katolis e os reinos humanos encontram-se mergulhados em caos e o jovem Ezran hereditariamente assumirá o trono. Apesar de uma criança, Ezran possui sensatez, sabedoria e uma capacidade de liderança fora do comum, as suas ações impressionam. Ele não repousa sob as sombras de seu pai, que como bem abordado pela série animada, realizou boas e más ações. Ezran toma decisões assertivas, que incomodam pessoas que anseiam pelo poder, logo será mitigado por terceiros, abrindo mão do reino pela vida de milhares. E dessa vez, Viren será reconduzido ao trono, levando os humanos a uma batalha desnecessária, culminando no desejo de extrair a força do príncipe Dragão para torna-se num mago supremo.

Já Callum e Rayla enfrentarão, durante sete dos nove episódios, desafios e desertos para devolver Zym a Rainha dos dragões que se encontra doente (depressiva). Essa jornada servirá de pano de fundo, a redescoberta pelo passado de Rayla, mais precisamente, os pais dela, acusados de fugirem e deixar ovo para trás. Também veremos um aprofundamento sobre a mitologia da série animada.

O roteiro de O Príncipe Dragão encontrou diversos desafios nessa nova temporada, na perspectiva de aparar algumas arestas deixadas, houve uma brusca variação comportamental na produção. Enxergamos uma confusão quanto ao dinamismo da história, prevalecendo uma velocidade diferente das duas últimas partes. Outra mazela apresentada a trama foi a ida de Ezran a Katolis, somado ato de abdicar ao trono, ambos se tornaram desnecessários, além de trazer o vilão para o nascedouro dos dragões, ou seja, o mocinho criou o problema, para depois se sobrepor a ele.

A série animada também possui algo muito bom a seu favor, além dos belos contornos e da criação de um universo vasto, rico, O Príncipe Dragão traz a inclusão de maneira pontual, inteligente e eficiente de assuntos “polêmicos” no contexto da série, seja na representatividade de gênero e etnia, regados a um simbolismo social no qual somos inseridos. A animação também se tornou forte discursivamente, evoluindo, crescendo o tom, fomentando múltiplas possibilidades, aprofundando ainda mais os personagens psicologicamente, e acertando na “batalha final”, que se configurou em algo ligeiramente épico, ou seja, arriscaram.

Acredito que se os produtores, roteiristas afiarem ainda mais a boa escrita de O Príncipe Dragão, a animação se consolidará com a melhor de nossa geração. Com responsabilidade, sentimos a evolução em vários segmentos técnicos da trama. Ousado, contemporâneo e de ótima linguagem, o programa tem traçado uma curva crescente ante aos números de fãs e os elogios. E por isso, merece a confiança.

Classificação: 

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A terceira parte de O Príncipe Dragão chegou no dia 22 de novembro a Netflix.

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