Os Sete de Chicago (2020) | Crítica

A questão dos filmes de tribunais não fica só baseado no roteiro e sua força, mas também na dinâmica de transformar o cansaço que é um debate de palavras em algo dinâmico e envolvente. Curiosamente, Os Sete de Chicago, nova produção da Netflix, que já está cotada para o Oscar de 2021, encontra uma forma criativa e inteligente de se sobressair quando é abordado o assunto. Confira prévia:

Os sete de Chicago faz parte dos filmes americanos que tentam mostrar como a política americana é contraditória ao mesmo tempo que parecem ter medo de serem considerados antipatriotas. Não que isso já o transforme em um filme ruim, Clint Eastwood está ai para provar que é possível ser conservador e entregar bons filmes que questionam o papel político americano.

O que fica em voga aqui é o medo do diretor de ir além do que ele está diante. Quando o filme parece buscar a forma de um thriller político nos moldes de Todos os Homens do Presidente o freio é apertado bruscamente e ficamos presos de novo no que parece ser só a busca dos advogados de defesa de livrar seus clientes da inevitável acusação, quando na verdade eles estão presos numa questão totalmente política e arbitrária.

O que faz Os Sete de Chicago se destacar é suas escolhas técnicas e de direção. A dinâmica de testemunho com flashback se utilizando da fala é algo muito engenhoso e inteligente, assim como toda a preparação de terreno para o que viria a ser o julgamento faz com que Aaron Sorkin se destaque e mostre que sua força está realmente no roteiro e na forma que ele se utiliza dele.

As atuações não estão no que o filme tem de melhor a oferecer. Sasha Baron Cohen e Jeremy Strong se destacam por carregar todo o alívio cômico que o filme tem de forma convincente e imprevisível. Já Eddie Redmayne continua sendo uma incógnita pra mim como ator, com a sua necessidade de fazer algo internalizado em tudo que faz. Mark Rylance é quem carrega o filme como o advogado que mesmo diante da derrota não aceita o fim triste para todos aqueles jovens que acreditavam na utopia de um mundo melhor.

Os sete de Chicago/Netflix – reprodução

Aaron Sorkin é um renomado e talentoso roteirista, mas como diretor ele ainda precisa se liberar do pensamento burocrático que ele carrega do ato excessivo de escrever roteiros. Os Sete de Chicago consegue ser engenhoso quando se propõe a isso, mas é notável a sua burocaracia e mecanicidade, e por mais sério que seja o tema, um filme precisa entreter de forma natural.

Classificação: 

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