Oscar 2020: Ainda não temos uma estatueta verde e amarela, apesar das várias oportunidades | Artigo

O Brasil celebra a produção da Netflix, Democracia em Vertigem, indicada na categoria Melhor Documentário do Oscar 2020. Outra produção do streaming que também faz a festa da nação canarinho este ano é filme Dois Papas, do diretor brasileiro Fernando Meirelles. A produção recebeu três indicações: Melhor Ator para Jonathan Pryce, Melhor Ator Coadjuvante para Anthony Hopkins e Melhor Roteiro para Anthony McCarten. Desta vez, Meirelles não foi lembrado entre os indicados a Melhor Diretor. Seu maior sucesso foi o filme Cidade de Deus (2004) e também dirigiu Ensaio Sobre a Cegueira (2008).

Ao longo dos anos, o Brasil marcou presença entre os indicados, sem um Oscar. A cobiçada estatueta dourada, distribuída pela Academia de Artes e Ciências de Hollywood, ainda não premiou nenhum filme brasileiro, ao longo da história. O país só sabe o que é ouro em Copa do Mundo e Olimpíadas. Como consolo, o Brasil já venceu o Oscar indiretamente, através de seus artistas e produções internacionais.

A primeira vez do Brasil no Oscar foi a indicação da canção “Rio de Janeiro”, do brasileiro Ary Barroso, indicada a Melhor Canção, pela comédia romântica, norte-americana, Brasil (1945); Agora conheça os indicados nacionais,que infelizmente não venceram:

Em 1962, O Pagador de Promessas, escrito e dirigido por Anselmo Duarte, baseado na obra de Dias Gomes, foi indicado a Melhor Filme Estrangeiro, mas perdeu para o drama francês, Sempre aos Domingos. Pagador foi o único filme brasileiro e sul-americano a conquistar a Palma de Ouro do Festival de Cannes, na França.

Em 1996, o drama histórico O Quatrilho, de Fábio Barreto, com Glória Pires e Patrícia Pillar, foi indicado a Melhor Filme Estrangeiro. Perdeu para o holandês A Excêntrica Família de Antônia.

Em 1998, o drama político O Que é Isso, Companheiro?, de Bruno Barreto, com Pedro Cardoso e Fernanda Torres, foi indicado a Melhor Filme Estrangeiro. Perdeu para o holandês Caráter. Os cineastas Fábio e Bruno Barreto, que são irmãos, da família de produtores de cinema, Luiz Carlos Barreto e Lucy Barreto.

Em 2001, o drama sobre a vida de Pelé, Uma História de Futebol, de Paulo Machline, foi indicado a Melhor Curta Metragem.

Cidade de Deus/Globo Filmes – Reprodução

Em 2004, a melhor performance de um filme brasileiro no Oscar. Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, recebeu quatro indicações ao Oscar. Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado para Bráulio Mantovani, Melhor Edição para Daniel Rezende e Melhor Fotografia para César Charlone.

Por fim, em 2016, a animação O Menino e o Mundo, de Alê Abreu, foi indicado a Melhor Animação, perdendo para Divertidamente, produção da Pixar.

Conheça as indicações e vitórias indiretas do Brasil:

O clássico drama francês Orfeu Negro (Black Orpheus) venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1960. Adivinhe onde a história se passa? No Brasil. Para ser mais exato, numa favela, em pleno carnaval do Rio de Janeiro, com elementos da mitologia grega, diálogos em português e trilha sonora de Tom Jobim e Luís Bonfá. Dirigido por Marcel Camus, o filme é adaptado da peça teatral Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes, por sua vez, uma livre adaptação da lenda grega do romance entre Orfeu e Eurídice. A có-produção entre Brasil, França e Itália ganhou outra versão para as telas em 1999, Orfeu, dirigida por Cacá Diegues, estrelada por Toni Garrido e Patrícia França.

A obra Raoni, escrita e dirigida por Jean-Pierre Dutilleux e Luiz Carlos Saldanha, sobre o cacique Raoni, foi indicada a Melhor Documentário, em 1979. A có-produção entre Brasil, França e Bélgica ganhou destaque na versão em inglês ao ser dublada pelo astro Marlon Brando.

A obra norte-americana El Salvador: Another Vietnam, dirigida pela cineasta brasileira Tetê Vasconcellos e por Glenn Silber, foi indicada a Melhor Documentário em 1982. Como curiosidade, a diretora é irmã da sexóloga e política brasileira Marta Suplicy.

O filme O Beijo da Mulher Aranha (Kiss of the Spider Woman) venceu a categoria de Melhor Ator Coadjuvante, para o norte americano, William Hurt, em 1986. Em seu discurso, Hurt agradeceu aos “brasileiros corajosos que o ajudaram a realizar o filme”, e ainda falou em português: “Saudade, Brasil”. Outras categorias indicadas foram Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado. O filme foi uma có-produção entre Brasil e Estados Unidos, do diretor argentino, radicado no Brasil, Hector Babenco, responsável por grandes filmes nacionais como Lúcio Flávio (77) e Pixote (80).

Vale destacar a carreira da diretora de arte brasileira, Luciana Arrighi, três vezes indicada ao Oscar de Melhor Direção de Arte, em produções de Hollywood, O Retorno a Howards End, em 1993, Vestígios do Dia, em 1994, Anna e o Rei, em 2000. Arrighi venceu pelo trabalho em Howards End.

Se engana quem pensa que a obra Central do Brasil é 100% brasileira. A có-produção entre Brasil e França, dirigida pelo brasileiro Walter Salles, foi indicada a dois Oscar’s em 1999. Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz para nossa dama Fernanda Montenegro, no papel da professora aposentada Dora, que trabalha como escritora de cartas para pessoas analfabetas na Estação Central do Brasil. O filme perdeu para o italiano A Vida é Bela, de Roberto Benigni.

Central do Brasil – Reprodução

Em 2003, o cantor Caetano Veloso (apenas convidado) interpretou, ao lado da cantora mexicana Lila Downs, a canção “Burn it Blue”. A melodia foi indicada a  Melhor Canção do filme Frida, biografia da artista plástica mexicana, Frida Kahlo.

Outra carreira importante é do cineasta e animador brasileiro Carlos Saldanha. Seus filmes receberam quatro indicações ao Oscar. A Era do Gelo, em 2003, foi indicado a Melhor Filme de Animação. O curta A Aventura Perdida de Scrat (Gone Nutty) foi indicado a Melhor Curta-metragem de Animação, em 2004. A animação Rio foi indicada a Melhor Canção, por Real in Rio, de Sérgio Mendes e Carlinhos Brown, em 2012. Por fim, O Touro Ferdinando foi indicado a Melhor Filme de Animação, em 2018.

O filme Diários de Motocicleta (Idem) venceu na categoria de Melhor Canção para a música “Al Otro Lado del Río” do cantor uruguaio, Jorge Drextler, em 2005, como destaque por ser a primeira canção em espanhol a vencer na história do prêmio. Mesmo assim, foi lamentável a atitude dos produtores da Academia que barraram o cantor uruguaio de apresentar sua própria obra e chamaram o ator Antonio Banderas para interpretar a canção indicada, acompanhado do guitarrista Carlos Santana, preocupados apenas com a audiência. Drextler acabou subindo ao palco para receber a premiação. O filme, dirigido pelo brasileiro Walter Salles, foi uma co-produção entre diversos países: Brasil, Estados Unidos, Argentina, Chile, Peru, França, Alemanha e Inglaterra e retrata a juventude do lendário guerrilheiro sul americano, Ernesto ‘Che’ Guevara. Salles ficou mundialmente conhecido por seu longa, Central do Brasil (98).

O filme O Jardineiro Fiel (The Constant Gardener) venceu na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante para Rachel Weisz, em 2006. Mais uma obra do brasileiro Fernando Meirelles, em co-produção internacional, o filme ainda foi indicado para Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Montagem e Melhor Canção.

A obra Lixo Extraordinário, có-produção Brasil e Inglaterra, dirigida por Lucy Walker, Angus Aynsley e João Jardim, foi indicada a Melhor Documentário, em 2011, e retrata o trabalho do artista plástico brasileiro Vik Muniz, com catadores de material reciclável, em um dos maiores aterros controlados do mundo, localizado no Jardim Gramacho, da cidade de Duque de Caxias, Rio de Janeiro.

A obra O Sal da Terra, có-produção Brasil, França e Itália, dirigida por Juliano Salgado e o cineasta alemão Wim Wenders (Asas do Desejo), foi indicado a Melhor Documentário, em 2015, focado na vida de um dos mais famosos fotógrafos brasileiros, Sebastião Salgado, pai do diretor Juliano. O biografado foi vencedor de diversos prêmios internacionais de fotografia, ao longo da carreira.

O drama adolescente Me Chame Pelo Seu Nome, dirigido pelo italiano Luca Guadagnino, uma có-produção Brasil, Estados Unidos, França e Itália, venceu o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado para James Ivory, em 2018. Sendo ainda indicado a Melhor Filme, Melhor Ator para Timothée Chalamet e Melhor Canção Original, para Mystery of Love de Sufjan Stevens.

Em se tratando de Oscar, nossos vizinhos da Argentina levam a melhor, vencendo o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por A História Oficial (1985) e O Segredo de Seus Olhos (2009).

Paciência. Um dia chegaremos lá.

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