Reflexões sobre a Pandemia do Covid-19 | Editorial

A Pandemia global de Covid-19, popularmente conhecido como Coronavírus, chegou ao nosso país, em nossas ruas, em nosso quintal. Nos espera, à espreita. Uma doença que se alastra com facilidade e atinge idosos e pessoas vulneráveis, mas não esquece ninguém. Crianças, adolescentes e adultos também podem ser contaminados. Também podem morrer. A doença vem como uma sombra que pode alcançar igualmente qualquer integrante da sociedade. Seja rico ou pobre, morador da favela ou de prédio granfino. Industrial, comerciante, motorista ou gari. Uma coisa é certa. A rede de hospitais disponível no país não terá condições de atender a toda a população a ser atingida pela doença. O sistema pode entrar em colapso. Não existe sequer kits de teste para todos, quanto mais leitos de UTI.

Era dezembro de 2019, a Covid-19 fez suas primeiras vítimas na China. A doença nem era conhecida. Muitos precisaram morrer até que os cientistas pudessem identificar o vírus responsável. O nosso mundo globalizado, com aviões, trens, barcos e carros, ajudaram a difundir a doença por todo o globo. Muitos deles turistas inocentes, relaxando em suas viagens, foram contaminados e sem apresentar sintomas espalharam a doença para lugares distantes. Para mais pessoas inocentes. Em algumas semanas, todos os continentes já apresentaram pacientes da Covid-19 e mortes. Muitas mortes. Por questões políticas e econômicas, as medidas de isolar a população em quarentena, divide opiniões.

De um lado, a ciência e os especialistas em doenças virais. São recomendações da Organização Mundial de Saúde, o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos, o Ministério da Saúde no Brasil para a adoção do isolamento social. As pessoas devem permanecer em casa e sair apenas em casos estritamente necessários. A medida extrema serve para evitar que o indivíduo se contamine, contamine sua família, contamine seus vizinhos, contamine seus amigos. Filhos, pais e avós, enfrentam o mesmo risco. Embora, a doença provoque reações diferentes em cada indivíduo. Os mais vulneráveis correm riscos elevados e as consequências podem ser fatais.

Do outro lado, alguns políticos, economistas, parte dos empresários e investidores financeiros. Enquanto grande parcela da população está preocupada com a perda de empregos e o sustento da família, a camada mais favorecida tem outras preocupações. Perda de lucros, retorno de investimentos, receitas, vendas. Para esse grupo, as medidas de quarentena são exageradas. Sensacionalismo da imprensa. As empresas não podem parar. Do contrário, vão falir, demitir em massa, gerar prejuízo e inadimplência. Eles consideram aceitável e, até inevitável, que muitas mortes ocorram. Consideram que não adianta quarentena para impedir as mortes, então, o isolamento deveria ser encerrado, o mais rápido possível para proteger a economia.

A discussão coloca em polos opostos, a proteção a vida e a proteção da economia. Independente das ideologias de esquerda ou direita. Com opiniões divergentes dividindo toda a população e, por tabela, gerando conflitos. De início, em pequena escala. Fatos isolados. Com o tempo, a proporção dos debates vai aumentar, assim como o avanço da doença. Diante dos contrates, fazemos algumas reflexões. A economia deve ter prioridade sobre a vida? Cidadãos mortos não gerenciam empresas, não trabalham nos empregos, não votam nos políticos, não rezam nos cultos, não geram receitas, nem lucros.

Qual a quantidade de mortes é aceitável para a sociedade? Os Estados Unidos alcançou o topo do maior número de infectados. Mais de 140 mil. A Itália superou o total de infectados na China, com 97 mil. A Espanha deve superar logo. Em número de mortos, a Itália superou a todos. Mais de 10 mil mortos ou 10% do total de infectados ou, ainda, uma morte, entre cada 10 pessoas infectadas. Mais de 500 pessoas mortas por dia. Qual a quantidade de mortes é aceitável em nossa família? Entre nossos amigos?

A China e Coreia do Sul conseguiu conter o avanço do vírus com as medidas extremas de quarentena e amplos testes na população. A Itália, a Espanha, a Inglaterra e os Estados Unidos resistiram em adotar a quarentena. A evolução da doença foi muito rápida nesses países. O sistema de saúde da Itália e da Espanha entraram em colapso. Mexicanos reclamam dos norte americanos atravessando a fronteira para o sul. O Primeiro Ministro Britânico, forte opositor de adotar a quarentena, foi contaminado. O Príncipe Charles também. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, outro forte opositor, mudou seu discurso de interromper a quarentena e agora anuncia a extensão por todo o mês de abril.

Entre manter a quarentena social ou manter uma quarentena apenas entre as pessoas de maior risco, enquanto a sociedade volta a sua rotina normal, coloca dois grupos em oposição. Será que a Organização Mundial da Saúde, especialistas, profissionais de saúde, líderes da maioria dos países como Estados Unidos, Índia, Rússia, China, Japão, grande parte da Europa que defendem a quarentena, estão todos certos ou errados? Do outro lado, parte da classe política, economistas, empresários, investidores que defendem a retomada das atividades econômicas, estão certos ou errados? Não há resposta pronta. A cada dia, damos um passo e vemos o resultado. O que vem pela frente, ninguém sabe. Mas tomamos o exemplo da Itália que demorou a acreditar na necessidade da quarentena quando ainda ocorriam cinco mortes diárias e, agora, passam de 500 mortes diárias.

A quarentena social, guardadas as proporções, equivale ao remédio amargo quando o indivíduo está doente. Equivale ao repouso inconveniente que o indivíduo precisa adotar. Apesar do gosto ruim e da suposta perda de tempo, as medidas são necessárias para que o indivíduo possa se recuperar adequadamente, em atendimento a orientação médica. No caso da sociedade, o remédio amargo está sendo a quarentena. São medidas duras, porém, necessárias e também adotadas por orientação médica. Sair do repouso/quarentena antes do tempo pode resultar em complicações, em piora.

Alguns profissionais precisam estar acima da quarentena. São profissionais de saúde, garis, policiais, caminhoneiros, frentistas de postos de gasolina, funcionários de bancos e supermercados, entregadores. Quando eles circulam num cenário de quarentena. O risco de serem infectados é reduzido drasticamente. São os heróis dessa guerra biológica e enfrentam o desafio todos os dias para que a sociedade possa superar essa pandemia.

A doença ainda torna evidente outro tipo de oposição. Das pessoas egoístas e individualistas contra as pessoas humanitárias. O primeiro grupo coloca seus interesses acima dos demais. É cada um por si, e Deus por todos. Suas vontades e opiniões precisam prevalecer e as opiniões contrárias não interessam. Em geral, não respeitam filas, nem sinais vermelhos, nem placas de velocidade. Fazem estoque de tudo o que o dinheiro pode comprar, sem importar se vai faltar para outros e sentem uma violação do direito de ir e vir com a quarentena. Muitos estão protegidos em seus castelos e mansões, com muito dinheiro e cercado de posses. Tem coisas na vida que os muros não podem proteger. As posses e o dinheiro não podem resolver. As patentes e títulos não podem mudar. Uma delas é o Covid-19.

As pessoas humanitárias estão preocupadas com seus familiares e amigos. Adotam a quarentena porque é um sacrifício em defesa da sociedade. Uma atitude consciente. Havendo condições, é preciso ter uma postura solidária. Ajudar a todos que precisam. Contribuir com doação de garrafas de água, de alimentos, de roupas e cobertores. O que for possível. Não precisa ir longe para ajudar. Existem famílias inteiras dormindo nas ruas próximas. Inúmeras comunidades carentes em cada cidade. O mínimo que pode ser feito significa uma grande diferença na vida das pessoas mais humildes. Toda ajuda é bem vinda. A solidariedade é sempre um grande diferencial em momentos difíceis.

O Virus Covid-19 nos forçou a avaliar quais devem ser nossas reais prioridades. É o dinheiro? É a família? É o emprego? São as vidas? Diante de uma situação assim, de que adianta ter todo o dinheiro do cofre do Tio Patinhas? Ter o carro blindado do Batman na garagem? Ser o maioral da política, da empresa ou da bolsa de valores? Morar na mansão de artista de Hollywood? Ou na cobertura de apartamento do Edifício dos Vingadores? Pense nisso: Você está com fome, pede uma pizza por aplicativo, vem o entregador, você paga e recebe o troco. O dinheiro pode está infectado. Pronto. Covid-19.

Enfrentar essa doença significa adotar cuidados mínimos. Ficar em casa. Manter um metro de distância de outras pessoas. Lavar as mãos com regularidade. Água e sabão é essencial. Na falta, utilizar álcool em gel. Beba muito líquido, se alimente, mantenha seu organismo saudável e o sistema imunológico estável. Se desesperar também não adianta. O medo também interfere em suas defesas biológicas. Se precisar sair, redobre os cuidados. Saia de casa apenas se for estritamente necessário. Ao espirar, lembre-se de usar o braço como proteção. Proteja a você e a quem está ao seu redor.

Toda essa situação extrema, nos lembra o clássico literário de Margaret Mitchell, transformado no clássico do cinema, E o Vento Levou (1939). A jovem Scarlett O’Hara vem de uma família aristocrata, cercada de luxo, escravos, mimos e pretendentes de outras famílias ricas, na grande fazenda Tara, no sul dos Estados Unidos. E o vento da guerra levou tudo o que a jovem tinha. Era a Guerra Secessão (1861-1865) que dividiu os norte-americanos entre o norte e o sul. A jovem precisou lutar por sua vida, encontrar comida, encontrar meios de subsistência. Um amadurecimento forçado pelas circunstâncias. Deixou para trás, a jovem egoísta e mimada para enxergar as dificuldades da vida, valorizar as pessoas ao seu redor e adotar um espírito mais solidário. Como Scarlett aprendeu a duras penas.

Precisamos ser gratos por nossas vidas e pelas pessoas que estimamos. Gratos por nossa saúde. Por estarmos protegidos, enquanto outras pessoas são obrigadas a enfrentar todos os riscos. Precisamos enfrentar a situação crítica com o espírito de quem entende que amanhã será um outro dia. Por isso, se a melhor solução é ficar em casa. Então, vamos entender e respeitar isso. Vamos fazer o que estiver ao nosso alcance e, juntos, poderemos vencer a batalha contra a Covid-19.

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