Resgate (2020) | Crítica

Parece um daqueles típicos filmes de ação simplista dos anos 80, mas o papel de Chris Hemsworth nos leva a caminhos inesperados, em meio a uma ação impactante e ininterrupta.

Foi uma escolha intencional, o filme Resgate (2020), lançado pela plataforma de streaming Netflix, adotar a simplicidade típica dos grandes sucessos de ação dos anos 80. A ideia é focar na ação, em sequências impressionantes, que vão deixar o espectador impactado ao longo da trama. O mercenário Tyler Rake (Hemsworth, famoso por seu papel como Thor), assume uma atitude inconsequente como reflexo de uma tragédia pessoal, contexto que serve como justificativa dupla para aceitar uma missão complicada, com mínimas chances de sucesso. Resgatar Ovi Mahajan, o filho de um chefão do crime indiano que está preso. O garoto sequestrado é mantido como refém por outro chefão do crime, na cidade de Dhaka. O mercenário não se importa se colocar a própria vida em risco numa missão que poucos aceitariam. Além disso, o garoto sequestrado pode ser a chance de encontrar alguma redenção por sua perda pessoal. Isso é motivação suficiente para transformar a populosa cidade numa zona de guerra, numa escala crescente de violência. O chefão responsável pelo sequestro mantém o apoio de militares corruptos que não dão trégua para garantir o fracasso da missão do mercenário.

A trama tem uma estrutura que evoca um clássico da ação, Fuga de Nova York (1981). O soldado Tyler tem a atitude de um herói solitário, comum nos faroestes, que não tem nada a perder. Embora esteja confuso e depressivo, é o seu envolvimento na missão que o impulsiona a seguir em frente. A atuação emocional de Hemsworth nos faz acreditar na dor e na determinação de seu mercenário. Em outro eixo da trama, o jovem ator indiano Rudhraksh Jaiswal nos mostra um jovem mimado pela riqueza do pai que sofre todo o impacto de ser sequestrado e ganha nova dimensão dramática ao se perceber reduzido a uma mercadoria, seja pelo pai, ou o aliado, ou o inimigo ou o mercenário. Mesmo sendo o foco de toda a ação do filme.

A atriz iraniana Golshifteh Farahani (Filhas do Sol, 2018) faz a líder da operação de resgate, Nik Khan, num toque de humanidade e companheirismo. Através da interação com ela, o mercenário entrega algumas pistas sobre sua vida e suas escolhas. Já a intromissão de David Harbour (da série Stranger Things) surpreende em cada momento seu em cena, elevando o nível de tensão da trama.

Resgate/Netflix – Reprodução

Se o filme parte de uma premissa simples, a trama ganha desdobramentos cada vez mais complexos e surpreendentes, numa velocidade crescente e ininterrupta como o avanço de um caminhão desgovernado. Ajuda bastante, o fato do diretor do filme, Sam Hargrave, ter uma vasta carreira como dublê, em obras como Vingadores – Guerra Infinita e Ultimato, Capitão América – Soldado Invernal e Guerra Civil, Esquadrão Suicida, Jogos Vorazes, Atômica, Thor Ragnarok, entre mais de 80 filmes. Hargrave tem a habilidade de impulsionar as cenas de ação, capaz de maximizar o impacto para o espectador. Parece que ele também utilizou dublês para realizar as filmagens, criando sequências em que o espectador parece ser arremessado para dentro da ação do filme. Uma extensa sequência de ação de 15 minutos sem cortes parece até desafiar a própria gravidade. Simplesmente impressionante.

O roteiro de Joe Russo tem a habilidade de equilibrar a ação desenfreada, com elementos dramáticos para ajudar a dar suporte aos personagens e dar credibilidade a trama. Joe, com seu irmão, Anthony Russo, dirigiram os dois últimos filmes de Capitão América e os dois últimos Vingadores, conquistando grandes sucessos e trazendo maior liberdade criativa para conduzir seus novos projetos. Resgate é um exemplo disso. Onde essa liberdade é utilizada para benefício do espectador.

É fácil enxergar Resgate como um dos melhores filmes de ação dos últimos anos. Por ser bem desenvolvido e executado. Com equilíbrio entre tensão e emoção, personagens críveis, ação ininterrupta e impactante. Mais um triunfo para o Netflix. Por suas qualidades técnicas, Resgate pode ser lembrado na temporada de prêmios em categorias como Fotografia e Montagem, se a treta de Hollywood com o Netflix não sair do impasse atual.

Classificação:

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Resgate estreou no dia 24 de abril na Netflix, e encontra-se disponível no catálago da streaming.

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