Star Wars: A Ascensão Skywalker | Crítica

Alguns poetas, pensadores apontam que as suas obras reproduzem as suas almas, e traçando um paralelo com Star Wars: A Ascensão Skywalker e JJ Abrams, cineasta do filme, talvez isso se encaixe perfeitamente. O derradeiro capítulo da franquia Star Wars foi ligeiramente conflitante, fugaz e principalmente, vazio. Apoiando-se de maneira simplória, no nostálgico, no fan-service para adquirir aceitação do público e dos amantes da saga, mas isso não foi o suficiente. Apesar da luta, Abrams não conseguiu salvar a trilogia que ajudou a criar. Veja o trailer:

Ao término de Os Últimos Jedi, a Disney foi inundada por inúmeras críticas negativas, fãs desgostosos com o atual rumo da história. Um reflexo disso, foi o descontentamento de Abrams com o trabalho de Rian Johnson, tentando costurar uma trama quase que desconexa com o filme pretérito, talvez isto tenha tornado o Episódio IX tão caótico como foi. Muitas informações nos foram ofertadas, personagens novos foram inseridos, intrigas secundárias foram estabelecidas, mas sem muito resultado. E o pior, JJ escolheu o caminho mais fácil para A Ascensão Skywalker, a exploração dos fan-service durante toda a obra.

A começar pela péssima escolha de trazer o Imperador Palpatine para esta trilogia, afinal, não caberia trazer um vilão ‘morto’, o reapresentando, apenas, no último capítulo da trama, sem criar conexões durante todo novo enredo. É como se o Kylo Ren (Adam Drive) não se sustentasse em nossa história – talvez por que não souberam forjar um antagonista brilhante, como Lord Vader foi -, e para não perder o público, ressuscitaram dos mortos o terrível Lord Sith, Darth Sidious (Ian McDiarmid). Outro ponto que pode corroborar com a falta de criatividade é a adoção do sobrenome de Rey (Daisy Ridley) ao final da trama, criando um ciclo sem fim, ilógico e desnecessário, sem deixar o novo sobrepujar-se.

Com um roteiro notadamente confuso de Chris Terrio e do próprio Abrams, A Ascensão Skywalker nos trouxe uma imensa jornada interplanetária, sistema a sistema, numa busca assimétrica pelo esconderijo do Imperador Palpatine, com motivações distintas. Entretanto, os caminhos de nossos protagonistas se entrelaçarão e suas respectivas missões, ganharão novos propósitos, com um ‘plus’, aprendendo e reconhecendo quem os são naquele universo, apesar dos arcos rasos, e sem ‘alma’. Mesmo respondendo a uma das perguntas que norteiam a trama: Quem eram os pais de Rey? O filme não se edificou.

Outro grande problema ao final dessa trilogia, é que a tríade de heróis ainda apresentada O Despertar da Força com Rey, Finn (John Boyega) e Poe (Oscar Issac), não se ajustou perfeitamente, nem de longe foram empáticas como a de Luke, Leia e Han nos clássicos, ou seja, a relação entre os personagens, mais uma vez fracassou, apesar da leve melhora. Poderia citar vários momentos ‘estranhos’, mas o pior é: Ainda não sabemos o que Finn gostaria de falar para Rey.
Mas nem tudo foi tão caótico assim, vimos o quanto Adam Drive evoluiu durante a história, transpirando sentimentos conflitantes tão inerentes ao seu personagem, além disso, nos aspectos técnicos A Ascensão Skywalker foi perfeito, desde os efeitos visuais, fotografia, trilha sonora, mixagem e edição de som.

O que mais chateia nessa nova trilogia é a falta de compreensão e respeito ao material original de Star Wars. Sem uma expansão apropriada, sem uma valorização dos clássicos, que quando utilizados, apenas os são para satisfazer os nossos próprios egos, ou nossas lembranças infanto-juvenis. O filme é uma bagunça desmedida, respondendo algumas poucas perguntas, deixando outras no vácuo. O que é uma pena! Um final melancólico, sem muita esperança, repetindo velhas fórmulas, sob uma dicotomia que não cabe mais nos atuais dias.
Se a Disney acertou o tom nos filmes da Marvel, parece caducar em Star Wars, ainda não encontrou a ‘fórmula’, mesmo tentando trazer algo que dá certo na primeira e que claramente não dá certo na segunda, como por exemplo, o alívio cômico, em momentos inoportunos, de C-3PO.

Com uma final ligeiramente razoável, mas semelhante a outra produção da Disney exibida esse ano, Star Wars: A Ascensão Skywalker parece destoar do Universo da franquia que aprendemos amar, assim como toda trilogia. Cabendo o afastamento de seu criador, George Lucas ainda nos primórdios da produção, o que muitos imputavam por vaidade, mas apenas se tratava de um aviso do quão ‘estranho’ seria a próxima história contada.

Classificação: 

Veja outras críticas:

Star Wars: A Ascensão Skywalker chegou no dia 19 de dezembro aos cinemas.

2 Replies to “Star Wars: A Ascensão Skywalker | Crítica”

    1. Concordo que o filme quis juntar muitos elementos (para os fãs e novos personagens), além de erros de execução notáveis o que tornou a narrativa confusa. Mas acho q esse foi o mais intimista dos 9 e talvez por isso as críticas pesadas.
      Nas outras trilogias até temos alguma busca dos protagonistas por saber quem são e seu lugar no mundo, mas essa trilogia foi a de um rebelde q virou general, um desertor q virou general e uma menina que era nada optando pelo carinho ao “sangue imperial”.

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