SUK SUK – Um Amor Em Segredo (2019) | Crítica

A poesia sempre vai se transmutar de coisas belas para contar – muitas vezes – horrores e mazelas que assolam a alma individual e o imaginário coletivo. Amar é poético porque é tão intenso no bem-estar de um indivíduo quanto na potência da sua autodestruição.

“SUK SUK – Um Amor Em Segredo” está bem longe de ser um filme sobre amores que edificam como também não tem nenhum vestígio de uma destruição latente de seus protagonistas. Mas ele consegue ser poético. Sua narrativa é subjetiva em suas mensagens – como todo poema deve ser – e o filme consegue transformar a claustrofobia em uma dúbia mensagem sobre aprisionamento social como também na escolha dos corpos em se unirem para estarem dentro do mesmo quadro.

Os corpos aqui não são viris e muito menos sexualizados. O que levanta muito uma reflexão além filme sobre como nós pensamos e nos relacionamos com pessoas que estão chegando (e vivendo) a terceira idade.

A diferença de cognição do casal protagonista só fica visível quando eles estão distantes um do outro – suas vivências e percepções de realidade e vida – porque quando eles compartilham seus momentos de afeto com os telespectadores todas as diferenças parecem que não fazem tanta importância assim.

Existe, lógico, um conservadorismo na forma que essa relação é mostrada. Os beijos não são tão intensos como devem ser e os corpos se encontram de forma calculada diante das câmeras, mas essa limitação encontrada por Ray Yeung (porque nenhum artista se autocensura sem um sistema por trás para impor isso) é bem contornada quando percebemos que o modo que as câmeras trabalham para tentar levar um pouco de erotismo na forma poética e lúdica que trabalha os momentos sexuais.

“Suk Suk” vai sofrer inevitavelmente comparações com “Felizes Juntos” do seu conterrâneo Wong Kar-Wai. Aqui não temos a mesma genialidade e coragem trabalhada em tela, mas temos um eficiente trabalho de momentos e que mesmo em suas limitações acaba sendo um bom e belo filme.

 

Classificação: Círculo de Fogo: The Black

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Sob o comando Ray Yeung, o filme chinês é distribuído em nosso país pela Vitrine Filmes e chegará aos cinemas em 9 de setembro.

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