Superman: Entre a foice e o martelo (2020) | Crítica

A WAG acerta o tom político e contraditório da sua mais nova animação, Superman: Entre a foice e o martelo, explorando premissas históricas e ideológicas com inteligência, relativizando condutas e a figura de nossos amados personagens integrantes do panteão DC. Entretanto, recai sobre a produção, a ausência de profundidade do conteúdo, deixando escapar a oportunidade de romper estruturalmente com filosofias e modos de produção indicadas na trama. Apoiando-se em meras citações, ou discursos inflamados. Confira prévia:

Baseada na graphic novel da DC Comics, Superman: Entre a Foice e o Martelo (2003) escrita por Mark Millar (Velho Logan, Kick-Ass), a animação homônima, retrata um realidade alternativa para um velho conhecido nosso: o Homem de Aço, que normalmente tem o seu nome vinculado aos EUA, agora, passa a integrar a União Soviética desde criança e obviamente as suas ideias marxistas.

Datado no período da Guerra Fria, o filme explora perspectivas diferentes sobre os dois principais modo de produção econômica no mundo – o capitalismo e o comunismo -, ocasionando uma reflexão em meio a polêmica desnecessária nos atuais dias. A animação deixa bem claro que em meio a todo antagonismo, há pontos convergentes entre os pensamentos, principalmente, quando o poder está em pauta no jogo. A produção da DC foi feliz nesse sentido, afinal, não há indivíduos 100% vilões, a não ser Brainiac – Inteligencia artificial alienígena. E como por exemplo, vimos um super-homem nascido nos campos ucranianos lutando por um ideal igualitário, um mundo mais justo, mas totalitário e agressivo, violento. Enquanto, o sonho de liberdade americano é alicerçado sobre a exploração de negros e imigrantes, bem representado na figura de Lex Luthor. Ou seja, todos podem passar da linha tênue e invisível, da moralidade.

Contudo, faltou a animação ‘fôlego’ e aprofundamento dos ideais propostos. Como por exemplo, a frágil fomentação do Batman neste universo -, e o ponto de vista dos homens comuns, da sociedade em si, frente a disputa pelo poder entre essas duas grandes nações, baseando-se apenas em discursos jogados. Tomar um caminho não é algo fácil, e essa crise existencial deveria estar muito mais a ‘flor da pele’ na animação, arrolada no DNA, como o é nas HQ’s.

Superman: Entre a foice e o martelo/DC/WAG – Reprodução

E falando sobre os quadrinhos, quando comparados a animação, o filme vai ligeiramente bem, com destaque para a fidelidade com que a Mulher-Maravilha é retratada nessa história. Se há alguém tão bem resolvido nessa trama, é ela. Assumindo ares de protagonismo em certos momentos, me atrevo a dizer, que a personagem esteve melhor adaptada que no último filme animado solo dela.

Mesmo apresentando algumas ressalvas, não a história, mas a ausência da luta introspectiva e dicotômica tão característico as HQ’s, Superman: Entre a foice e o martelo foi ligeiramente inquietante e bem adaptado. Mais uma ótima animação da Warner Animation Group. em associação a DC, com uma tecnicidade dentro do padrão de ambos os estúdios, desde os contornos, a trilha sonora, edição e mixagem de som e é claro, a dublagem. Confesso que gostaria de ver uma maior densidade sobre a trama, mas recebo com alegria o longa.

Classificação:

Veja a Crítica de outras animações da DC conoscoO Reino do SupermanLiga da Justiça: Os Cinco FataisBatman e as Tartarugas Ninjas e Batman: Silêncio.

O lançamento de Superman: Entre a foice e o martelo para as diversas mídias e plataformas digitais está programada para o dia 17 de março.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *