Tenet (2020) | Crítica

Megalomania narrativa é a melhor definição para o cinema de Christopher Nolan. Seus filmes resumem a eloquência de seu diretor e ele acaba sendo comparado com nomes como Kubrick e até mesmo Hitchcock pela forma que ele rege seus projetos e se utiliza da forma cinematográfica para transformar seus filmes em verdadeiros eventos.

Tenet, Warner Bros., surge exatamente nessa situação. O nome do seu diretor briga com o tamanho do título em cartaz, criando expectativa muito mais por causa do que está por trás, do que pela sua história. Confira prévia:

A trama de Tenet não se difere muito de alguns dos seus filmes anteriores e até a forma que o diretor escolhe para transcorrer a narrativa é muito semelhante. O que para alguns pode ser visto como a marca do autor, para outros é a preguiça em forma de seguir a fórmula de sucessos de outrora.

A criação de um texto que parece ser complexo pela forma verborrágica com excessos de explicações faz com que Tenet encontre os mesmos defeitos que A Origem e; Interestelar – para citar os filmes mais didáticos do diretor. Nolan subestima seu público e acredita que pelo didatismo seus filmes serão melhores apreciados.

Todo o excesso de informações distancia a plateia da sensação de estar imerso a um filme e até a ação (bem coreografada pela proposta temporal que o filme possui) se torna mecânica e inoperante quando é para causar imersão e emoção.

Quando chegamos no terceiro ato e tudo parece finalmente ter encontrado sua forma, somos surpreendidos por plot twist’s que além de previsíveis nos fazem questionar o que estamos assistindo. Uma personagem diz que em um momento que “a política é omitir” e parece que ela tá se referindo ao filme que acredita que escondendo algumas informações vai causar o choque na audiência e esquecendo que o verdadeiro objeto do plot twist não é chocar e sim fazer com que nossa linha de pensamento com a trama mude.

TENET/Warner – Reprodução

O que torna Nolan diferente dos diretores de 2001: Uma Odisseia no Espaço e Psicose é que os dois abraçaram uma forma operária e inventiva de fazer filmes adicionando emoção em tudo isso, enquanto nosso Christopher despreza as emoções humanas em seus filmes. E até mesmo quando inseridas são tão genuínas como o amor que uma pedra pode sentir.

Os filmes de Nolan parecem que são dirigidos por um robô, infelizmente, sem alma.

Classificação:

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Tenet está programado para 29 de Outubro.

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