Teocracia em Vertigem – Especial de Natal Porta dos Fundos (2020) | Crítica

Com simplicidade no discurso, objetividade das ideias, uma argumentação dicotômica inteligente, mas repetindo erros do passado, chegou ao Youtube, o especial de Natal do Porta dos Fundos, Teocracia em Vertigem. Confira prévia:

O discurso do ódio, a polarização política e a vingança cristã, são alguns dos muitos temas conjecturados em Teocracia em Vertigem, que traz Fábio Porchat revistando o papel de Jesus, no especial desse ano. E desa vez, o nosso querido personagem – protagonista tem a sua vida esmiuçada por relatos alheios, de ‘pessoas que conviveram’, ou ‘foram próximas’, figuras importantes da época, ou desconexas com a história, tudo isso com uma ótima dose de humor.

Se por um lado, a esquerda não é capaz de realizar a sua auto-crítica, reconhecendo os seus erros durante a atual construção democrática brasileira, a sociedade, a igreja traçam o mesmo duro caminho, realizando conchavos com organismos estranhos ao que deveria ser reto. Daí a clara referência dessa produção ao documentário indicado ao Oscar 2020, Democracia em Vertigem, de Petra Costa. Onde é vislumbrado o declínio das instituições governamentais, ante a interesses confusos e sorrateiros, que levaram o país a uma divisão tola e sem sentido.

Apesar de repetir os mesmos erros de especiais anteriores, Teocracia em Vertigem de Porchatbaseado nos escritos de Gabriel Esteves – tenta encontrar um ponto neutro, um ponto de convecção de ideias, deixando para trás a polêmica eclesiástica e de fé, o que de certo modo, é identificado como uma tomada de decisão assertiva por parte dos roteiristas. Todavia, esse tom conciliador, não é visto quando é observado as entranhas de nossa democracia nos últimos 4 anos.

De maneira coerente, traçando inúmeras alegorias da Galileia de 33 D.C, ao nosso Brasil, o grupo de humor Porta dos Fundos, foi extremamente feliz e factível em suas argumentações, transbordando um reconhecimento peculiar de nossa sociedade e o atual momento político. O que, claramente, desembocará na qualidade de Teocracia em Vertigem, e na percepção das coisas.

Esse especial de natal não deve ser reverenciado pelo elenco eclético, multifacetado e com o humor na medida certa, mas no discurso, na condução das ideias propostas ocasionando um riso vazio e introspectivo, nos fazendo refletir sobre algumas desconcertantes situações que passamos. Imaginem agora, como iremos contar essa parcela da história posteriormente sem sermos massacrados, como parte dos judeus, equivocadamente, os são hoje? Como fomos capazes de escolhermos Barrabás?

Apesar da ótima sintaxe, Teocracia em Vertigem se perdeu em algumas cenas apresentadas, bem como na harmonização dos quadros, na montagem dos ‘esquetes’ mas nada que possa tirar o brilho do que foi esse especial de natal tão diferente, dirigido por Rodrigo Van Der Put. Que buscou o diálogo e uma reflexão geral acerca dos fatos, através do humor, fora da bolha ideológica e do chamado extremismo religioso.

Classificação:

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O especial de natal do Porta dos Fundos, Teocracia em Vertigem pode se encontrado através desse link – clique aqui.

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