Troco em Dobro (2020) | Crítica

A Netflix tem feito escolhas arriscadas, volta-e-meia traz filmes, produções sob seu selo, com nomes de pesos, como foi o caso de Esquadrão 6 liderado por Ryan Reynolds. Mas nem sempre essas escolhas dão certo ou são garantia de sucesso. E no último dia 6, despontou Troco em dobro, estrelado por Mark Wahlberg (Os Infiltrados, Pai em dose Dupla) uma das icônicas figuras em meio a filmes de ação em Hollywood. Com boas escolhas narrativas, um tom legal e muita pancadaria, o filme é um acerto do streaming. Confira prévia:

Baseado vagamente no livro no romance Wonderland de Ace Atkins, Spencer (Mark Wahlberg) é ex-policial da cidade de Boston que possui um senso de justiça nada ‘adequado’. E essa falta de equilíbrio, sempre o coloca em grandes encrencas. O que, obviamente, o fez perder a farda. Após cumprir 5 anos de prisão numa penitenciária federal, o agora motorista de caminhão – aluno sonha com uma vida pacata e sem problemas, mas um “duplo homicídio” trará Spencer ao jogo policial. Num primeiro momento como investigado, num segundo momento como investigador. Com a ajuda de seu amigo, Henry (Alan Arkin) e de um lutador de MMA em ascensão Hawk (Winston Duke), o trio tentará solucionar os crimes, que em sua essência possuem as mãos sujas de policiais corruptos da cidade.

Troco em Dobro é um exemplar de filmes produzidos nessa década com os pés no século passado, vejamos: Um tom cômico legal; uma dupla de vigilante caricata; ação e muita pancadaria; uma superficialidade no enredo e nos personagens – principalmente nos antagonistas; e sim, a namoradinha do protagonista longe dos estereótipos comuns. Ou seja, se você ama filmes dessa natureza, filmes datados da década de 80 e 90, certamente amará esse.

Troco em Dobro/Netflix – Reprodução

E se essa foi a premissa de Peter Berg e Cia. acertaram. Como dito, o filme não pulsa seriedade, discursos filosóficos, afeição ao realismo, ou sentimentos profundos mas encanta pelo dever com o entretenimento que o cinema deve exalar. É bem verdade que a ‘química’ entre Wahlberg e Duke ajuda a trama a se desenvolver, com destaque para o primeiro. Mas, faltou ao vilão de Bokeem Woodbine simpatia.

Bem ‘costurado’, dinâmico e com alívios cômicos assertivos, Troco em Dobro é um delicioso filme de ação. Com resoluções simples, sem apelar para o imponderável e bem conduzido por Mark Wahlberg, o longa é sim uma grata surpresa para o gênero de ação que tem sofrido com suas múltiplas crises de identidade ao longo desses últimos anos. Poderíamos alegar que sim, ‘ele é clichê’, ‘não traz nada de novo para o segmento’, mas o filme traz algo perdido há anos, a paixão, a alegria em rever filmes sob a égide de ‘brucutus’ em tempos sombrios.

Classificação:

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Troco em Dobro chegou a Netflix no dia 6 de março.

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