Como o tempo passa rápido. De 2001 pra cá nasceram novos países, passamos por duas pandemias, ideias aparentemente extintas – e assim deveriam ser – voltaram a vida, e nesse ritmo alucinante chegamos ao nono filme da franquia original de Velozes e Furiosos. Mas será que o filme de Justin Lin, um dos idealizadores do novo momento da saga, serviu para o seu propósito?! Se sim, qual o seria? Tentarei responder essas e outras perguntas a serem formuladas nos próximos parágrafos.

O desafio é outro em “Velozes e Furiosos 9”, assombrado pelo passado, Dom Toretto (Vin Diesel) busca impedir os avanços do irmão desaparecido Jakob Toretto (John Cena), na perspectiva de deter o apocalipse cibernético. E para isso, Dominic contará com a família que ajudou a construir e escolheu amar.

A Universal Pictures trará aos cinemas nesse mês de junho, após os últimos acontecimentos de caráter mundial, a inesgotável, a interminável saga que mescla espionagem e velocidade, “VF9”. Encabeçada pelo astro e produtor-executivo Vin Diesel, a franquia tenta se reinventar, buscar novas histórias, viajar no tempo para torná-la empática, alicerçar o presente na perspectiva de criar um encerramento digno. Mas será que tal premissa funcionou? No todo, não. Não para ideia de algo novo. “Velozes e Furiosos 9” é literalmente mais do mesmo…

Você não enxergará mudanças significativas na estrutura técnica ou narrativa, apenas o ambiente é outro, só a história muda, e muda com traços semelhantes aos anteriores. Mas isso é bom ou ruim? Você, caro leitor, é quem pode responder isso: Quanto você ama a franquia? Se eu pudesse cravar a minha opinião sobre o assunto, diria que “cansa”. Todavia, o filme não deixa de divertir o espectador. Mesmo que não exista um reformulação eficiente, ele se propõe a aceitar e abraçar as mazelas, assumindo, portanto, a linguagem caricata e empolgante num universo distópico, onde as leis da física não se aplicam.

O antagonista de Cena foi bem desenhado, todavia a escolha de torná-lo suscetível ao bom moço, o arrependido, é mais do mesmo. Deixando claramente a impressão da existência de uma certa fragilidade narrativa. E falando sobre os astros do filme, nessa louca dicotomia, Diesel e Cena funcionaram, mas não da maneira ideal, faltou emoção e sobrou baixa profundidade textual. Quanto aos secundários, permaneceram como a expressão acima diz, literalmente “secundários”, sem grandes alterações propositivas.

Tecnicamente, “Velozes e Furiosos 9” é ligeiramente bom, quase que sem ressalvas. Além de possuir uma ótima trilha sonora, podemos também destacar a edição e mixagem de som que ocorreram de maneira harmônica as múltiplas cenas “mentirosas” de ação. E sobre o tema, é impossível não comparar esse longa aquele amigo de papo agradável que todos possuem. Repleto de histórias, verídicas ou não, que nos arrancam boas gargalhadas. Portanto, não cobre muito do filme nesse sentido. E aceitar essa proposta pode até nos divertir.

Mas os problemas existem e para eles, não podemos fechar os olhos. Em certos momentos, o dinamismo esperado do filme deram espaço a diálogos melodramáticos, quase pobres e sim, arrastados. Lin não soube equilibrar com exatidão as abordagens narrativas. Todavia, esse longa ainda consegue ser minimamente superior aos anteriores e isto já é um avanço para a franquia, mesmo sem apresentar nada de novo.

Fiel a franquia, repleto de easter egg’s e ligeiramente bom, este foi “Velozes e Furiosos 9” da Universal Pictures. Óbvio que você não irá ao cinema por uma proposta que ele, o filme, nunca entregará, mas sim pelo entretenimento. A bobagem de assistir veículos- clássicos ou não – realizando manobras irreais nas telonas e movidos pelo sentimento de família, e isso, caros críticos, espectadores, também é cinema, talvez não o ideal, o artístico, mas o comercial, que também mantém a chama viva do amor pela arte.

 

Classificação:

O longa, “VF9” chega hoje (24) aos cinemas.

By Amauri Alves

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante (...) Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo