Vozes (2020) | Crítica

Os verdadeiros filmes de terror são objetos de corrupção quando se tratam da forma que eles se vendem e se entregam ao público. O status quo sendo deturpado é o verdadeiro objetivo dessas obras e quanto maior o estranhamento mais eficaz será o resultado final.

Vozes começa como um típico filme de terror espanhol. A visão de uma criança diante do horror do sobrenatural parece que é o que estamos prestes a acompanhar durante toda a projeção da obra. Essa forma da narrativa é propositalmente desgastada em seus poucos minutos e quando o tédio parece tomar conta temos a reviravolta que faz o filme tomar a forma que ele realmente quer ter.

O terror paranormal que temos aqui em nenhum momento parece emular filmes clássicos. Por mais que a abordagem não seja genuína, ela consegue na inventividade de como a câmera se porta diante dos personagens e de seus dilemas entregar verdadeiros momentos de tensão com sustos que não são gratuitos como estamos tão acostumados a consumir nesse gênero.

Vozes – Netflix – Reprodução

Vozes até ecoa um cinema que de tão preocupado com os aspectos básicos da sétima arte acaba entregando uma percepção simplória e eficaz do medo.

O som é o protagonista aqui. Ele é quem conduz a narrativa. E quando precisa se fundir com a imagem para que as sensações sejam potencializadas não existe uma sobreposição opressora, é o controle ideal feita pela visão de quem sabe o que está fazendo e sabe aonde deseja chegar.

Vozes – Netflix – Reprodução

Se for para escolher algum erro de Vozes poderia falar sobre a tentativa de criar uma franquia com aquela cena pós crédito, mas a insanidade precisa os seus 10 últimos minutos até que nos faz querer ver mais daquilo.

Classificação: 

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